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Seu site não é para você!

Por | 12 de fevereiro de 2009 | Tags: , , , | 31 Comentários

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Não é raro os web designers lidarem com clientes que tratam eles como “pixel pushers*” em vez de “criadores”. Tudo bem: as vezes temos que dar o braço a torcer e aceitar algumas demandas dos clientes. Mas, clientes, acreditem: 99% das vezes nós sabemos o que estamos fazendo.

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Uma das coisas coisas que designers deveriam saber (sei que muitos nunca sequer estudaram nada além de Photoshop e Dreamweaver) é o que um público gostaria. Afinal de contas, um site é feito para as pessoas que o acessam, e não a gosto de quem paga. Pelo menos não em grande parte.

Quando você quiser construir sua casa, você chama um arquiteto. Ele não vai criar a casa inteira para você sem você palpitar quantos cômodos ela terá, a disposição de cada um, quantos andares, etc. Mas obviamente, está na obrigação no arquiteto informar que um banheiro dentro da cozinha não é boa idéia (por exemplo), ou que uma jacuzzi dentro do escritório não é algo inteligente a se fazer. Claro que ele não vai dizer “não faça”, mas sim lhe dar os motivos pelos quais não é no melhor interesse do cliente pagante.

E quando meu cliente não aceita minhas sugestões?

Perfeitamente comum você dar mil razões pelos quais vai ficar desagradável um site sem espaçamento nenhum entre informações, e mesmo assim o cliente insistir que você faça exatamente isto. O que fazer nessas horas?

asdf

Foi assim que o cliente pediu, fazer o que?

Realmente, não há o que ser feito. Você tem duas opções, nenhuma delas agradável: decidir que está na hora de demitir seu cliente, perder a grana que você iria ganhar mas manter sua dignidade ou fazer qualquer coisa que ele pedir, pegar o dinheiro e simplesmente negar até a morte que você tenha feito aquilo.

Mas antes de partir para a ignorância, explique da melhor maneira possível o seguinte ao seu cliente: “Seu site tem um público alvo X. Este público alvo X é que vai estar acessando seu site. Quem acessa seu site é o que importa para você, pois sem um público seu site será apenas uma página vagando na internet. A melhor maneira de se ter um público constante é seguindo algumas premissas básicas: conteúdo interessante, um design que favorece o conteúdo, e conteúdo atualizado. Conteúdo é rei. Ofuscando o conteúdo, ou fazendo ele parecer menos importante que a sua biografia na lateral sobre, que você insiste que fique piscando dentro de uma caixa vermelha com letras amarelas, os seus visitantes vão perder o interesse. Acredite em mim, eu trabalho com isto.”.

Ele falou que é ELE que tá pagando

Se ele não aceita ser educado, é por que ele é (por falta de uma definição melhor) cabeça-dura. É impossível manter uma conversa sensata com algumas pessoas. Já tentou falar com algumas pessoas de mente fechada** sobre Darwinismo? Você pode mostrar um dinossauro vivo na frente dele, o dinossauro pode arrancar a perna dele fora e mesmo assim ele não vai aceitar o seu ponto de vista.

Se seu cliente não aceitar que você trabalha com isto e sabe o que é o melhor para ele, desista de convencer ele do contrário. Pessoas com mentes fechadas não vão a lugar nenhum, e o melhor que você pode fazer é se afastar delas.

Finalizo com uma frase de Paul Boag, autor do artigo que inspirou este:

“Se você quer obter o máximo de aproveitamento da sua equipe de web, dê problemas a eles e não soluções. Por exemplo, se você está criando um site direcionado a garotas adolescentes e o designer escolhe o azul corporativo, sugira que o público alvo pode não responder bem a essa cor. Não fale pra ele mudar para rosa. Deste jeito, o designer tem a liberdade para achar uma solução que pode ser até melhor que a sua escolha. Você deixou o designer resolver o problema que você apresentou”.

O que você faz quando um cliente decide tudo que você precisa fazer, mesmo quando o que ele quer contradiz o que você aprendeu como “certo”?

* – “Pixel pushers” ou “empurradores de pixels” é uma definição atribuída a web designers cujos clientes definem como eles deveriam trabalhar: ditando quais cores utilizar num site, sua diagramação, etc, não deixando que o web designer aplique seus conhecimentos da área.
** – Texto alterado pois tem gente que se ofende com qualquer besteira.

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Canha

Criador e editor-chefe do Design Blog, atualmente é web designer freelancer. Nerd desde pequeno, ama tudo relacionado a internet, é apaixonado por design e está na área há 11 anos.

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  • Cláudio

    Olha, só um puxão de orelha quanto ao termo “Já tentou falar a um crente sobre Darwinismo?” Isso é um preconceito, sou evangélico (crente) e acredito sim em Darwin, querer dizer que todo evangélico é ignorante foi meio ofensivo, não acha?

    Quanto ao post, excelente!

  • http://www.anjodigital.com AnjoDigital

    Procuro ser o mais transparente quanto a essência do conteúdo e a arquitetura da informação. Finalizo que com tais critérios não tenho interesse em pegar esse job, pois como você mesmo disse a dignidade é muito importante.

  • Piero

    Otimo Post, gostei mesmo.
    Pàrabéns.

  • Canha

    @Cláudio,
    Talvez eu tenha generalizado demais nesta parte. Eu não tenho nada contra crentes ou pessoas de qualquer religião e sei que toda regra possui uma exceção. A intenção não foi de ofender, apenas de dar um exemplo.
    De qualquer modo, espero que não tenha me levado a mal ;)

    Abraços

  • http://www.formigueirocomunista.com André HP

    “99% das vezes nós sabemos o que estamos fazendo.”

    O canha representa 1% das vezes, nessa estatística.
    hsuehusheuhsuehe :D

    Forte Abraço Mr. Berg

  • http://www.dcdinfo.com.br/blog Dieme Comper Defante

    Gostei da matéria, muito boa mesmo. Me ajudou a raciocinar com um cliente que não tava tendo um pouco de idéias. Agora vai dar para fazer um site mais dinâmico e interessante para ele.
    Valeu.
    Continue com o bom trabalho.

  • http://www.brunogoncalves.com.br/dialogo Bruno Gonçalves

    Como eu digo, temos o cliente e o “cRiente”.

    O cliente é aquele que contrata os serviços de um profissional assim como um doente procura um médico. Ele tem um problema e busca uma solução com uma pessoa que tenha conhecimentos técnicos e competência para resolvê-lo.

    O cRRRRiente é aquele cidadão que contrata os serviços de qualquer um. Pode ser eu, você ou qualquer um que tenha feito um curso promocional de férias de webdesigner na Dataskina por R$ 49,90.

    E nesse ponto o cri-criente, normalmente, mostra que não tem parametros no momento de fazer a escolha. Qualquer um que se intitular designer, publicitário, marqueteiro, advogado, frequentador de lan house, botequeiro serve para fazer o serviço.

    A atitude dele pode ser comparada como ir ao açougueiro para resolver um problema no motor do seu carro.

    Fora isso, como o cRiente é muito inteligente, uma vez que ele tem uma empresa que “deu certo”, que está no ramo a mais de 10 anos com uma clientela “fiel”, ele se julga dono da razão e capaz de “receitar o remédio para curar a sua doença”.

    E, como você mostrou nesse artigo, é complicado lidar com esse tipo de pessoa, que acredita saber tudo e que não aceita os conselhos de profissionais.

    Para finalizar, cito que há dois artigos recentes que eu publiquei em meu blog sobre esse assunto. O título dos textos são “A melhor opção” e “Automedicação”.

    Sugiro que leiam.

    Abraços

  • http://luemfuga.blogspot.com Lu Pimentel

    Canha, excelente post !
    Eu não sou webdesigner, mas na minha profissão tenho o mesmo problema, sou arquiteta e padeço com os cri-crientes como disse o Bruno no comentário acima.
    Eu já tentei de tudo, me colocar no lugar do cliente , tentar entender o que se passa, mas é muito complicado… em alguns casos ele simplesmente se acha totalmente capaz de fazer seu trabalho, que ter as “idéias” qualquer um pode ter.
    Diferente do médico, por exemplo … na pior das hipoteses se você não concorda com o dianostico ou acha que tem algo errado procura outro,mas não sente capaz de fazer o seu trabalho. E nem com cohecimento suficiente pra discutir o diagnóstico com ele.
    Mas enfim, vamos seguindo tentando chegar a um meio têrmo, né ?

  • http://www.yogodoshi.com/blog Cayo Medeiros aka. yogodoshi

    Parabéns cara, mais um ótimo artigo! Esse “frase” do Paul Boag foi realmente genial, vou começar a falar isso pros clientes, pedindo que tentem me trazer os problemas ao invés de tentar me dar a solução.

    Shared via gReader ^^

    Abraços!

  • Ana Cláudia

    Olha só, eu sou evangélica (crente, como vocês gostam de chamar) e não gostei da comparação preconceituosa. O pensamento de que uma pessoa cristã é sinônimo de ignorância só revela a ignorância de quem pensa isso. Acredito nos dinossauros, existem ossos deles, e tenho minha própria teoria sobre darwinismo e criacionismo (de que um está ligado ao outro). Então cara, mais cuidado na hora de escrever os textos, blz? Eu tava achando massa, mas fikei irritada com o preconceito.

  • http://www.arthurraupp.com/ Arthur Raupp

    Falou tudo que eu pensava!
    O criador muitas vezes é podado pelo cliente e, na maioria das vezes (quase sempre) o produto final poderia sair muito melhor se o cliente não desse tanto ‘pitaco’…

    belo texto!

  • http://www.imagetica.net/blog Garcia Jr.

    Bom o texto. O grande lance é: o quanto e o que você está disposto a ceder pra ficar ou perder determinado cliente? E esse cliente realmente vale à pena do ponto de vista financeiro e de contato pra outros potenciais clientes?

  • Claudia Regina

    Não poderia concordar mais com o texto. Não sou operadora de photoshop, sou designer. A solução? Explicar ao cliente o que está acontecendo. Se ele insistir em fazer o meu trabalho por mim é hora de “demití-lo”.

    Dificilmente a grana vale a dor de cabeça.

  • Canha

    Galera, pelo amor de Júpiter!

    Por que vocês insistem em prestar atenção nos pequenos detalhes? Por favor, foquem-se no texto como um todo, não em um pequeno exemplo.

  • Pingback: Defenda seu trabalho | Digital Paper Web

  • http://www.crentedaocupranaoperderavirgindade.com.br Não será divulgado.

    Por que pessoas que se intitulam inteligentes se tornam crentes? Até a frase ficou contraditória haha.

    Continue assim Canha, parabéns.

  • Ricardo

    Muito bom o texto canha.
    Fala exatamente dos problemas que muitos webdesigners passam.

    Quanto ao assunto religioso. As pessoas, ainda hoje, não estão prontas a ouvir opiniões alheias e simples comentários.

  • guilherme

    Eu tenho um professor que contou uma história de um colega dele:
    O cliente era dentista, ai queria um site; chamou o rapaz para fazer o site, ai quando o rapaz terminou e foi apresentar o trabalho a ele; O dentista queria que ele mudasse a cor do site para verde-limão.
    Ai ele falou:
    Beleza, eu mudo, mas eu vou cobrar a metade do preço e não vou assinar o trabalho, pois foi você quem fez. E quando irem reclamar, não virem me acusar de ter feito isso. E quando você vir me procurar novamente, eu vou cobrar o dobro do que eu tinha cobrado!
    O dentista ficou surpreso na resposta do rapaz, e não questionou e mais nada!

    Eu achei essa história, super hilária.
    auhauahauuaha

    Mas, é bom para aprenderem, que a gente sabe o que nós fazemos!

    fuii

  • Canha

    @Guilherme
    Excelente história. E muito bem pensado a resposta do cara.
    Abraços

  • Marcel Akiyama

    1.Quando o cliente agir dessa forma, é porque desde o começo você não apresentou um perfil profissional ou firmeza.

    2.Existe muito designer que acha que entende, ou tem um grande conhecimento teórico mas não sabe aplica-las de maneira correta no trabalho, pessoas sem senso que somadas a falta de senso do cliente resulta nesse desentendimento citado nesse post.

    “Se ele não aceita ser educado, é por que ele é (por falta de uma definição melhor) cabeça-dura. É impossível manter uma conversa sensata com algumas pessoas. Já tentou falar com algumas pessoas de mente fechada** sobre Darwinismo? Você pode mostrar um dinossauro vivo na frente dele, o dinossauro pode arrancar a perna dele fora e mesmo assim ele não vai aceitar o seu ponto de vista.”

    Exemplo esquisito esse, se nós não sabemos lidar com a variedade de tipos de pessoas existentes nesse mundo, é impossível a convivência. Sempre existe uma forma convicente, talvez você não tenha mostrado o dinossauro ainda pro seu cliente. Ou seja, acho que nínguem conseguiu mostrar um dinossauro para uma pessoa de cabeça fechada.

    Entro aqui ás vezes, mas meu conselho é para que você faça textos mais neutros, sem ofender ou atacar as pessoas, mesmo que sem maldade, por outro lado, muito bom o seu blog.

  • http://www.googleadword.com.br Rodrigo Henrik

    Semana passada concluí um projeto de site, tudo redondinho conforme reza a lenda. O cliente aprovou e publiquei. Dias depois me pediu pra mudar tudo, porque não era o que queria e tal, então questionei o porque mudar se já havia sido aprovado, e que não era bem assim que procederia, mudar tudo. Sentei e falei o seguinte, não iria ficar como deveria e que por isso eu não iria mais levar adiante o trabalho e que ele não precisaria me pagar nem seuqer um centavo. O espanto foi tão grande que o site ficou exatamente como eu havia criado. Conclusão, o retorno está sendo tão bom que o se eu pedir pro cliente por a cabeça na linha do trem ele coloca sem questionar!

  • Pingback: Joni Pavanello » Seu site não é para você!

  • Joel

    Mas uma vez de parabens e como posso dizer vc achou o melhor conceito pra conparar design ou seja engenharia ou vc queria ser engenheiro?
    Mas como os outros esse aí ficou otimo

  • http://edgarberlinck@wordpress.com Ed

    Eu não trabalho com web, trabalho com desenvolvimento de aplicações para desktop. Os mundos são diferentes, pois uma aplicativo É, na maioria das vezes, para o proprio cliente. Mesmo assim, é sempre bom analisar QUEM realmente vai usar o que vc entregar.

    A ética deve sempre estar em primeiro lugar para nós, profissionais em IT.

    Eu achei o texto muito bom, parabéns!

  • Pingback: Seu site ( ou outros trabalhos de design) não é para você! « Arquitetura 3D

  • http://www.krush.com.br Pablo

    Novamente um ótimo post. Parabéns.
    Um outro aspecto é a confiança do cliente, que nunca será IMPOSTA, mas sim CONQUISTADA. o difícil nesse jogo, não é o Design e a Direção de Arte, mas o relacionamento com PESSOAS. Designers e Estúdios devem focar apenas na Direção de arte somente quando o briefing estiver completo, com público alvo, conteúdo e orientações diversas bem definidas.
    A maioria das empresas não oferecem um mínimo de organização para sua equipe desenvolver seu trabalho com qualidade que evite a refação. Isso gera desperdício de dinheiro(tempo), atrito com o cliente, e muitas vezes conflitos internos que diminuem ainda mais a credibilidade perante o mercado.
    Então muitas vezes, ao invés de se achar o dono da verdade, pense bem na quantidade de lições que você pode tirar num projeto para aplicar a melhoria nos próximos, e lembre-se, para teimosia não existe argumento.

  • Rafa Librenz

    Eu achei excelente a comparação do criacionismo versus dinossauros.

    Concordo que é uma ótima maneira de exemplificar o problema.

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  • Gabriel

    Muito bom o post, gostei