Não é raro os web designers lidarem com clientes que tratam eles como “pixel pushers*” em vez de “criadores”. Tudo bem: as vezes temos que dar o braço a torcer e aceitar algumas demandas dos clientes. Mas, clientes, acreditem: 99% das vezes nós sabemos o que estamos fazendo.
Uma das coisas coisas que designers deveriam saber (sei que muitos nunca sequer estudaram nada além de Photoshop e Dreamweaver) é o que um público gostaria. Afinal de contas, um site é feito para as pessoas que o acessam, e não a gosto de quem paga. Pelo menos não em grande parte.
Quando você quiser construir sua casa, você chama um arquiteto. Ele não vai criar a casa inteira para você sem você palpitar quantos cômodos ela terá, a disposição de cada um, quantos andares, etc. Mas obviamente, está na obrigação no arquiteto informar que um banheiro dentro da cozinha não é boa idéia (por exemplo), ou que uma jacuzzi dentro do escritório não é algo inteligente a se fazer. Claro que ele não vai dizer “não faça”, mas sim lhe dar os motivos pelos quais não é no melhor interesse do cliente pagante.
E quando meu cliente não aceita minhas sugestões?
Perfeitamente comum você dar mil razões pelos quais vai ficar desagradável um site sem espaçamento nenhum entre informações, e mesmo assim o cliente insistir que você faça exatamente isto. O que fazer nessas horas?

Foi assim que o cliente pediu, fazer o que?
Realmente, não há o que ser feito. Você tem duas opções, nenhuma delas agradável: decidir que está na hora de demitir seu cliente, perder a grana que você iria ganhar mas manter sua dignidade ou fazer qualquer coisa que ele pedir, pegar o dinheiro e simplesmente negar até a morte que você tenha feito aquilo.
Mas antes de partir para a ignorância, explique da melhor maneira possível o seguinte ao seu cliente: “Seu site tem um público alvo X. Este público alvo X é que vai estar acessando seu site. Quem acessa seu site é o que importa para você, pois sem um público seu site será apenas uma página vagando na internet. A melhor maneira de se ter um público constante é seguindo algumas premissas básicas: conteúdo interessante, um design que favorece o conteúdo, e conteúdo atualizado. Conteúdo é rei. Ofuscando o conteúdo, ou fazendo ele parecer menos importante que a sua biografia na lateral sobre, que você insiste que fique piscando dentro de uma caixa vermelha com letras amarelas, os seus visitantes vão perder o interesse. Acredite em mim, eu trabalho com isto.”.
Ele falou que é ELE que tá pagando
Se ele não aceita ser educado, é por que ele é (por falta de uma definição melhor) cabeça-dura. É impossível manter uma conversa sensata com algumas pessoas. Já tentou falar com algumas pessoas de mente fechada** sobre Darwinismo? Você pode mostrar um dinossauro vivo na frente dele, o dinossauro pode arrancar a perna dele fora e mesmo assim ele não vai aceitar o seu ponto de vista.
Se seu cliente não aceitar que você trabalha com isto e sabe o que é o melhor para ele, desista de convencer ele do contrário. Pessoas com mentes fechadas não vão a lugar nenhum, e o melhor que você pode fazer é se afastar delas.
Finalizo com uma frase de Paul Boag, autor do artigo que inspirou este:
“Se você quer obter o máximo de aproveitamento da sua equipe de web, dê problemas a eles e não soluções. Por exemplo, se você está criando um site direcionado a garotas adolescentes e o designer escolhe o azul corporativo, sugira que o público alvo pode não responder bem a essa cor. Não fale pra ele mudar para rosa. Deste jeito, o designer tem a liberdade para achar uma solução que pode ser até melhor que a sua escolha. Você deixou o designer resolver o problema que você apresentou”.
O que você faz quando um cliente decide tudo que você precisa fazer, mesmo quando o que ele quer contradiz o que você aprendeu como “certo”?
* – “Pixel pushers” ou “empurradores de pixels” é uma definição atribuída a web designers cujos clientes definem como eles deveriam trabalhar: ditando quais cores utilizar num site, sua diagramação, etc, não deixando que o web designer aplique seus conhecimentos da área.
** – Texto alterado pois tem gente que se ofende com qualquer besteira.
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22 comentários
Olha, só um puxão de orelha quanto ao termo “Já tentou falar a um crente sobre Darwinismo?” Isso é um preconceito, sou evangélico (crente) e acredito sim em Darwin, querer dizer que todo evangélico é ignorante foi meio ofensivo, não acha?
Quanto ao post, excelente!
Procuro ser o mais transparente quanto a essência do conteúdo e a arquitetura da informação. Finalizo que com tais critérios não tenho interesse em pegar esse job, pois como você mesmo disse a dignidade é muito importante.
Otimo Post, gostei mesmo.
Pàrabéns.
@Cláudio,
Talvez eu tenha generalizado demais nesta parte. Eu não tenho nada contra crentes ou pessoas de qualquer religião e sei que toda regra possui uma exceção. A intenção não foi de ofender, apenas de dar um exemplo.
De qualquer modo, espero que não tenha me levado a mal ;)
Abraços
“99% das vezes nós sabemos o que estamos fazendo.”
O canha representa 1% das vezes, nessa estatística.
hsuehusheuhsuehe :D
Forte Abraço Mr. Berg
Gostei da matéria, muito boa mesmo. Me ajudou a raciocinar com um cliente que não tava tendo um pouco de idéias. Agora vai dar para fazer um site mais dinâmico e interessante para ele.
Valeu.
Continue com o bom trabalho.
Como eu digo, temos o cliente e o “cRiente”.
O cliente é aquele que contrata os serviços de um profissional assim como um doente procura um médico. Ele tem um problema e busca uma solução com uma pessoa que tenha conhecimentos técnicos e competência para resolvê-lo.
O cRRRRiente é aquele cidadão que contrata os serviços de qualquer um. Pode ser eu, você ou qualquer um que tenha feito um curso promocional de férias de webdesigner na Dataskina por R$ 49,90.
E nesse ponto o cri-criente, normalmente, mostra que não tem parametros no momento de fazer a escolha. Qualquer um que se intitular designer, publicitário, marqueteiro, advogado, frequentador de lan house, botequeiro serve para fazer o serviço.
A atitude dele pode ser comparada como ir ao açougueiro para resolver um problema no motor do seu carro.
Fora isso, como o cRiente é muito inteligente, uma vez que ele tem uma empresa que “deu certo”, que está no ramo a mais de 10 anos com uma clientela “fiel”, ele se julga dono da razão e capaz de “receitar o remédio para curar a sua doença”.
E, como você mostrou nesse artigo, é complicado lidar com esse tipo de pessoa, que acredita saber tudo e que não aceita os conselhos de profissionais.
Para finalizar, cito que há dois artigos recentes que eu publiquei em meu blog sobre esse assunto. O título dos textos são “A melhor opção” e “Automedicação”.
Sugiro que leiam.
Abraços
Canha, excelente post !
Eu não sou webdesigner, mas na minha profissão tenho o mesmo problema, sou arquiteta e padeço com os cri-crientes como disse o Bruno no comentário acima.
Eu já tentei de tudo, me colocar no lugar do cliente , tentar entender o que se passa, mas é muito complicado… em alguns casos ele simplesmente se acha totalmente capaz de fazer seu trabalho, que ter as “idéias” qualquer um pode ter.
Diferente do médico, por exemplo … na pior das hipoteses se você não concorda com o dianostico ou acha que tem algo errado procura outro,mas não sente capaz de fazer o seu trabalho. E nem com cohecimento suficiente pra discutir o diagnóstico com ele.
Mas enfim, vamos seguindo tentando chegar a um meio têrmo, né ?
Parabéns cara, mais um ótimo artigo! Esse “frase” do Paul Boag foi realmente genial, vou começar a falar isso pros clientes, pedindo que tentem me trazer os problemas ao invés de tentar me dar a solução.
Shared via gReader ^^
Abraços!
Olha só, eu sou evangélica (crente, como vocês gostam de chamar) e não gostei da comparação preconceituosa. O pensamento de que uma pessoa cristã é sinônimo de ignorância só revela a ignorância de quem pensa isso. Acredito nos dinossauros, existem ossos deles, e tenho minha própria teoria sobre darwinismo e criacionismo (de que um está ligado ao outro). Então cara, mais cuidado na hora de escrever os textos, blz? Eu tava achando massa, mas fikei irritada com o preconceito.
Falou tudo que eu pensava!
O criador muitas vezes é podado pelo cliente e, na maioria das vezes (quase sempre) o produto final poderia sair muito melhor se o cliente não desse tanto ‘pitaco’…
belo texto!
Bom o texto. O grande lance é: o quanto e o que você está disposto a ceder pra ficar ou perder determinado cliente? E esse cliente realmente vale à pena do ponto de vista financeiro e de contato pra outros potenciais clientes?
Não poderia concordar mais com o texto. Não sou operadora de photoshop, sou designer. A solução? Explicar ao cliente o que está acontecendo. Se ele insistir em fazer o meu trabalho por mim é hora de “demití-lo”.
Dificilmente a grana vale a dor de cabeça.
Galera, pelo amor de Júpiter!
Por que vocês insistem em prestar atenção nos pequenos detalhes? Por favor, foquem-se no texto como um todo, não em um pequeno exemplo.
Por que pessoas que se intitulam inteligentes se tornam crentes? Até a frase ficou contraditória haha.
Continue assim Canha, parabéns.
Muito bom o texto canha.
Fala exatamente dos problemas que muitos webdesigners passam.
Quanto ao assunto religioso. As pessoas, ainda hoje, não estão prontas a ouvir opiniões alheias e simples comentários.
Eu tenho um professor que contou uma história de um colega dele:
O cliente era dentista, ai queria um site; chamou o rapaz para fazer o site, ai quando o rapaz terminou e foi apresentar o trabalho a ele; O dentista queria que ele mudasse a cor do site para verde-limão.
Ai ele falou:
Beleza, eu mudo, mas eu vou cobrar a metade do preço e não vou assinar o trabalho, pois foi você quem fez. E quando irem reclamar, não virem me acusar de ter feito isso. E quando você vir me procurar novamente, eu vou cobrar o dobro do que eu tinha cobrado!
O dentista ficou surpreso na resposta do rapaz, e não questionou e mais nada!
Eu achei essa história, super hilária.
auhauahauuaha
Mas, é bom para aprenderem, que a gente sabe o que nós fazemos!
fuii
@Guilherme
Excelente história. E muito bem pensado a resposta do cara.
Abraços
1.Quando o cliente agir dessa forma, é porque desde o começo você não apresentou um perfil profissional ou firmeza.
2.Existe muito designer que acha que entende, ou tem um grande conhecimento teórico mas não sabe aplica-las de maneira correta no trabalho, pessoas sem senso que somadas a falta de senso do cliente resulta nesse desentendimento citado nesse post.
…
“Se ele não aceita ser educado, é por que ele é (por falta de uma definição melhor) cabeça-dura. É impossível manter uma conversa sensata com algumas pessoas. Já tentou falar com algumas pessoas de mente fechada** sobre Darwinismo? Você pode mostrar um dinossauro vivo na frente dele, o dinossauro pode arrancar a perna dele fora e mesmo assim ele não vai aceitar o seu ponto de vista.”
Exemplo esquisito esse, se nós não sabemos lidar com a variedade de tipos de pessoas existentes nesse mundo, é impossível a convivência. Sempre existe uma forma convicente, talvez você não tenha mostrado o dinossauro ainda pro seu cliente. Ou seja, acho que nínguem conseguiu mostrar um dinossauro para uma pessoa de cabeça fechada.
…
Entro aqui ás vezes, mas meu conselho é para que você faça textos mais neutros, sem ofender ou atacar as pessoas, mesmo que sem maldade, por outro lado, muito bom o seu blog.
Semana passada concluí um projeto de site, tudo redondinho conforme reza a lenda. O cliente aprovou e publiquei. Dias depois me pediu pra mudar tudo, porque não era o que queria e tal, então questionei o porque mudar se já havia sido aprovado, e que não era bem assim que procederia, mudar tudo. Sentei e falei o seguinte, não iria ficar como deveria e que por isso eu não iria mais levar adiante o trabalho e que ele não precisaria me pagar nem seuqer um centavo. O espanto foi tão grande que o site ficou exatamente como eu havia criado. Conclusão, o retorno está sendo tão bom que o se eu pedir pro cliente por a cabeça na linha do trem ele coloca sem questionar!
Mas uma vez de parabens e como posso dizer vc achou o melhor conceito pra conparar design ou seja engenharia ou vc queria ser engenheiro?
Mas como os outros esse aí ficou otimo
Eu não trabalho com web, trabalho com desenvolvimento de aplicações para desktop. Os mundos são diferentes, pois uma aplicativo É, na maioria das vezes, para o proprio cliente. Mesmo assim, é sempre bom analisar QUEM realmente vai usar o que vc entregar.
A ética deve sempre estar em primeiro lugar para nós, profissionais em IT.
Eu achei o texto muito bom, parabéns!
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