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Para que serve um logo ou marca?

Hoje em dia, qualquer designer e micreiro de esquina tenta vender um logo a uma empresa. Mas afinal de contas, qual o objetivo do logo? Para que vai servir aquele logotipo? Por que existe a marca?

Muita gente tem uma idéia, digamos, peculiar para o significado de um logo ou marca. Na grande maioria das vezes, pessoas (que não tem obrigação de saber isto) acha que um logo deve ser “bonito”. Mas a sensação de beleza é singular – o que pode ser bonito pra mim, não pode ser bonito pra você. Se o objetivo de um logo não é ser bonito, pra que ele serve?

Um logo precisa ser bonito?

Bom, vamos por partes aqui. Beleza, de acordo com a Wikipedia, é “uma experiência, um processo cognitivo ou mental, ou ainda, espiritual, relacionada à percepção de elementos que agradam de forma singular aquele que a experimenta“. Isto significa que beleza é sujeita a N fatores. Um logo pode ser belo ou não, depende de quem a observa. Acredite ou não, mas tem algumas pessoas que sofrem de um problema psicológico onde ela sente medo de uma determinada forma, cor ou marca. No entanto, uma pessoa que teme a marca da Coca-Cola pode não temer a marca da Pepsi. Outra pessoa pode temer justo o contrário.

Então um logo precisa ou não ser bonito? Não. Ele precisa transmitir uma mensagem.

Eu não confiaria em uma empresa que fornece seguro de vida cujo logo fosse uma caveira, por mais metaleiro que eu fosse. Por que? Simples, ela está transmitindo uma mensagem errada. Na minha cultura, um sinal de caveira significa morte. Mesmo se tivesse um cadeado em volta da caveira (”seguro contra a morte”), eu não iria me sentir muito confortável disto. Quando faço um seguro de vida, não quero pensar na minha morte: eu quero ainda viver, mas ter uma garantia póstuma.

Qual o objetivo de um logo?

O objetivo de um logo é o de transmitir uma mensagem. Qual é esta mensagem? Aí depende. Um logo de banco, por exemplo, quer demonstrar solidez e honestidade. Já o logo de uma bebida energética talvez queira transmitir um ar de jovialidade, de ação. Quem define isto é a empresa.

Cada uma destas marcas visa transmitir uma mensagem

Cada uma destas marcas visam transmitir uma mensagem

Quando digo que a empresa é que define qual mensagem ela quer transmitir, não digo “os donos da empresa”. Digo a empresa mesmo, como pessoa. Qual o público-alvo dela? Qual região que ela atende? O que essa empresa faz? Tudo isto é pesquisado pelo designer na hora de criar um logo. O designer precisa saber de tudo que pode ter relevância com a empresa.

De acordo com Rob Mills, um designer inteligente não faria um logo em cor roxa para uma empresa tailandesa, pois lá o roxo é uma cor de tristeza. Já aqui no ocidente, a cor roxa é associada com realeza, luxo e as vezes mágica. Já uma marca com quatro elementos deve ser evitada na China, pois quatro é o número do azar lá (se assemelha muito a palavra “morte”).

E é por isso que um logo precisa ser bem pensado e ser estudado antes de ser produzido. O papel do designer é justamente esse.

Agora você já sabe, um logo precisa transmitir uma mensagem levando em conta tudo sobre a empresa que ela vai representar.

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Canha

Canha é o criador do Design.blog e co-fundador do xCakeBlogs. Ele é designer e blogueiro. Arquivado na categoria Logo



5 Comentários

  1. Bruno Reis
    30/09/2009 às 23:23 | #

    Gostei das dicas, elas reforçam algumas que você postou anteriormente. Parabéns.

  2. danilo
    01/10/2009 às 09:32 | #

    cara, adoro estes seus textos explicativos! sempre encaminho pra galera daqui da agencia. parabens!

  3. Daniel Lima
    02/10/2009 às 12:52 | #

    Achei interessante seu artigo, levanta alguns ponto realmente importantes.
    Gostaria que muitos “profissionais” tivessem essa noção…
    Vale ressaltar a importância de se conhecer o publico alvo da empresa, analisar o mercado que ela atinge…
    você indica algum livro, ou outro meio, sobre pesquisas de publico alvo?

    Daniel Lima

  4. Leonardo
    02/10/2009 às 15:44 | #

    Postei aqui ontem falando que você não tinha referenciado o blog da onde tirou a referencia, criticando-lhe.

    Hoje volto aqui e vejo que você fez a devida referencia a Rob Mills.

    Gostaria de parabenizar-lhe pela atitude e pelo post! ;)

  5. André HP
    03/10/2009 às 14:48 | #

    Na Grécia antiga era a supremacia do belo sobre o útil. Hoje, inverteu-se. No mundo contemporâneo o útil sobressai ao belo.

    Às vezes, para ser útil, precisa ser belo. O que não rola é o “bonitinho e ordinário”.

    “Eu não confiaria em uma empresa que fornece seguro de vida cujo logo fosse uma caveira, por mais metaleiro que eu fosse.”
    Canha e seus exemplos etílicos.

    Esse artigo mostra o quão importante é estudar semiótica e/ou fazer uma faculdade antes de sair por aí dando uma de sobrinho.




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