Na faculdade muitas vezes aprendemos dentro de situações utópicas, onde todas as ideias são possíveis de serem aplicadas e não temos o ônus do cliente. No mercado, no entanto, nos defrontamos com uma série de limitações, uma delas, o dinheiro.

Como designers trabalhamos com a imagem alheia, muitas vezes é o nosso trabalho que vai mostrar aos outros os princípios de uma pessoa ou entidade. Embora isso seja motivo suficiente para se investir em Design, normalmente as empresas não se dispõem a investir muita na área. Aqui surge uma grande dúvida, como criar um bom projeto com um orçamento apertado?

Os custos de projeto

Custos de projeto se referem ao valor que você, como profissional, vai cobrar pelo seu trabalho. Aqui devem ser consideradas tanto as horas gastas no projeto quantos os custos referentes ao seu planejamento (materiais gastos na criação provas de cor, etc.). Os custos de projeto em geral são os mais difíceis de cobrar, uma vez que a maioria dos clientes não entende muito bem o porquê de “uma arte bonitinha” custar tão caro, e todos sabemos que pérolas como “mas meu sobrinho faz isso em 15 minutos no computador”, e outras coisas do gênero são bem comuns.

Ter certo jogo de cintura na hora de cobrar pelo projeto é indispensável, dependendo da complexidade do projeto, do valor que o cliente pode investir, e até mesmo do tempo em que você atua no mercado, o valor deve ser estipulado. Algumas vezes é comum cobrar um valor menor por um projeto para se estabelecer vínculos comerciais com outra empresa, e garantir futuros trabalhos, onde será possível cobrar um valor maior, mas é preciso ter cuidado para fazer isso apenas quando se tem certeza que o cliente realmente manterá seu…

Custos de produção

Estes custos se referem à parte “técnica” do projeto, ou seja, impressão e acabamento. Esses gastos costumam ser mais aceitos pelos clientes, uma vez que se referem a coisas físicas: papel, tinta, etc. Lembre que para o seu cliente cobrar mil reais para projetar determinado material é muito diferente de ter que pagar mil para imprimir.

Uma prática que muitos profissionais usam para poderem reduzir o valor do projeto perante os olhos do cliente é cobrar comissão de gráfica. Essa prática é um dos maiores motivos de discussão dentro do Design, de um lado os profissionais que são contra, do outro aqueles que apoiam a técnica. Não cabe a este post discutir se essa prática é saudável para o mercado e se deve ser abolida, mas acho que a discussão ainda esta bem longe de acabar.

Enfim, o que fazer?

Na hora de iniciar um projeto, como já discuti em posts anteriores, é importante ter bem claro todas as limitações do projeto. Infelizmente, o dinheiro influencia (e muito) nessas limitações, uma vez que é através do valor que temos disponível que definimos métodos de impressão, acabamentos, etc.

A melhor solução é pesquisar valores, ter uma média de custos adequada ao seu público e acima de tudo não deixar que o lucro sobre o trabalho influencie na qualidade do desenvolvimento dele. É claro que o valor que foi investido tem uma forte influencia sobre a qualidade final, mas o fato de você não ter recebido muito para fazer determinado trabalho não quer dizer que ele deve ser mal feito. Lembre-se sempre que para construir uma reputação como bom profissional é necessários anos de pratica e muito trabalho, mas toda essa reputação pode ir por água abaixo com apenas um trabalho ruim.

Outra coisa que pode ajudar a obter melhores resultados é fugir do convencional, tentar novas técnicas, novos métodos. Por exemplo, verniz localizado é um método de acabamento bem interessante, e garante ótimos resultados. No entanto, em projetos impressos em gráficas expressas, por exemplos, não é possível aplicar o verniz como quinta cor, uma vez o método de impressão não comporta isso, e imprimir em offset pode ser inviável pelo baixo número de cópias. Uma solução pode ser aplicar um adesivo transparente com corte especial, que irá garantir um resultado bem semelhante ao do verniz localizado com um preço bem mais acessível.

Inove, seja criativo não apenas na criação, mas também na gestão do seu trabalho.

Gostou? Compartilhe!

Comentários fechados