Cabe ao Design e aos Designers à difícil tarefa de projetar produtos, embalagens e serviços que aumente o ciclo de vida de um produto, gerando um novo sistema de consumo. Não basta apenas usar e jogar fora, tem que ter consciência daquilo que se consome e saber a que fim se dará.

O desenho de embalagem visando à redução dos impactos ambientais

As embalagens têm como objetivos prioritários envolver, proteger, transportar e vender o produto (Mestriner, 2002). Visando a sustentabilidade todas estas definições para embalagem devem cada uma delas, se adequar ao design sustentável. Os materiais, a logística, a reciclabilidade estão entre as principais ferramentas a caminho de um design visando à ecologia ambiental, imprescindível na era moderna. Quanto mais diversidade de material em uma mesma embalagem, mais será seu impacto para o meio ambiente. O uso de apenas um material facilita sua reciclagem.

Há dois tipos de embalagens: a de transporte e de consumo, segundo Stein (1997), podendo ser primária, esta que contém o produto, ou secundária, que acondiciona e protege a embalagem primária. Já as de transporte são embalagens que protegem o produto durante vários momentos e modos de transporte, facilitando operações, seja da fábrica até o destinatário, ou da fábrica até um centro de distribuição. Bergmiller (1976, p.08) fala que a embalagem de transporte embala a de consumo, facilitando sua estocagem na fábrica antes do despacho. Alguns produtos necessitam somente de uma embalagem de transporte, todavia a embalagem de consumo é aquela que entra em contato com o consumidor e o produto é vendido juntamente com a mesma.  Abaixo está exemplos de embalagens de transporte.

Quanto à função, a embalagem de consumo é uma embalagem display e ou de uso. A primeira é utilizada para a exposição do produto em locais de venda e a segunda é utilizada durante o uso do produto pelo consumidor. Em relação ao número de unidades acondicionadas, a embalagem de consumo pode ser unitária ou de conjunto. Abaixo estão exemplos de embalagens de consumo, na figura a seguir:

 

A embalagem é uma figura da cultura de consumo. Segundo a revista EmbalagemMarca (2001, p. 01), “cada vez mais, reciclar poderá ser um bom negócio”. As embalagens são alvos de idéias e trabalhos que visam à melhora de sua fabricação e de seu desempenho nas linhas de produção, no transporte, nos pontos-de-venda, no momento do consumo. O pós-consumo, porém, somente em tempos relativamente recentes passou a gozar de tanta atenção.

O desenho de embalagem, segundo Brod Jr (2004) apud Souza (1976), “[...] não pode ser considerado apenas como técnica limitada à inovação dos aspectos externos, através da manipulação de elementos visuais, e muito menos, um problema técnico de proteção e preservação do produto”. Já Bergmiller (1976) relata que o mundo da embalagem está em pleno desenvolvimento com a introdução de novos materiais, nova maquinaria e novas concepções, norteados por questões como: a embalagem deve ser considerada como parte integrante do produto, deve procurar a mais ampla aplicação de materiais e métodos, é algo mais que um meio de redução de custos é também uma oportunidade de lucro.

A produção, utilização e descarte das embalagens implicam em impactos ambientais. Segundo um artigo sobre Embalagem e Sustentabilidade da Revista da ESPM (2010, p.157) relata que “reduzir ao máximo o impacto da embalagem no meio ambiente não significa mais sustentabilidade”. Visto que a embalagem ao final de seu processo de consumo, inevitavelmente, se torna lixo urbano, a pergunta é: existem maneiras possíveis de torná-la sustentavelmente bem sucedida seja pelo uso de materiais, seja pelo processo de fabricação ou pelo seu consumo consciente?

plástico verde

 

 

 

 

 

 

 

 

Qual é a definição de plástico verde? Teoricamente é chamado de polietileno verde, este é feito de 100 % a base de cana de açúcar que, tem como ponto forte, a não utilização de combustíveis fósseis. Grandes investidores estão apostando no novo material reciclado. No Brasil, a Braskem está com um projeto de investimentos de 2 a 3 milhões de dólares para desenvolvimento do novo plástico. A Braskem assinou no ano de 2009, um acordo para o fornecimento do material para a Tetra Pak, que é a líder mundial na produção de embalagens longa vida de papel. Então, temos no terceiro exemplo, uma embalagem de papelão feita em plástico verde. O acordo firmado entre as duas empresas, garante por conta da Braskem, o fornecimento de 5 mil toneladas de polietileno verde de alta densidade por ano, a partir do ano de 2011, para a produção de tampas plásticas e lacres. O volume representa pouco mais de 5% da demanda total de polietileno de alta densidade da Tetra Pak, e é pouco menos de 1% do total de compra de materiais plásticos.

Segundo Kazazian (2005) “o impacto das embalagens sobre o meio ambiente não se limita à sua produção, consumidora de materiais (papelão, alumínio, plástico) e de energia, uma vez utilizadas as embalagens acabam nas lixeiras”. As embalagens de consumo necessitam de alternativas para seu uso postergado. É a cargo do desenhador possibilitar estas novas funções. Tendo em vista que o desenho industrial agrega funções ecológicas em projetos de produtos industriais, a questão ecológica incorporada a produtos e processos é uma função recente, com origens em países europeus.

A embalagem sustentável deve atender a pelo menos três dimensões. A primeira e principal: garantir a proteção ao produto. Na segunda dimensão, dentre as embalagens que protegem o produto, deve-se escolher aquela que implica menos impactos ambientais medidos segundo a Análise do Ciclo de Vida (ACV) do produto. Já a terceira tem a ver com como os materiais de embalagem se comportam no fim de vida, seja ele compostagem, aterro sanitário, reciclagem química, reciclagem mecânica ou reciclagem energética Revista da ESPM (2010, p 159). O conceito de Ciclo de vida do produto pode-se entender como todo o processo desde o “nascimento” até a “morte” do produto (Manzini, 2005). Considera-se o produto desde sua extração dos recursos necessários para a produção dos materiais (nascimento) até o ultimo tratamento (morte) desses mesmos materiais após o uso do produto.

Segundo o mesmo, podemos, portanto, “contar toda a vida de um produto como um conjunto de atividades e processos, cada um deles absorvendo certa quantidade de matéria e energia, operando uma série de transformações e liberando emissões de natureza diversa” (MANZINI, 2005, p. 91). Há tempos não se havia tanta preocupação com o descarte das embalagens e seu fim. Quando não reutilizadas, as embalagens eram em grande parte descartadas de qualquer jeito. Garrafas, potes, sacos e cartuchos iam (e ainda vão) ocupar espaço nos cada vez mais saturados aterros sanitários ou nos lixões. Quando não, terminam em ruas e demais locais impróprios. Assim, a embalagem ganhou o sinônimo de inimiga do meio ambiente.

O processo de ciclo de vida possui as seguintes fases: pré-produção, produção, distribuição, uso e descarte. Manzini (2005) relata “considerar o ciclo de vida quer dizer adotar uma visão sistêmica de produto, para analisar o conjunto de inputs e dos outputs (refere-se às trocas entre o ambiente e o conjunto de processos que acompanham o ciclo de vida) de todas as suas faces, com a finalidade de avaliar as conseqüências ambientais, econômicas e sociais” (p. 92). A partir disso deve haver uma preocupação maior do desenhador em projetar pensando em todas as faces de produção até o descarte do produto, para assim causar um resultado consistente.

O design tem fator importante e fundamental nas decisões do ciclo de vida do produto. Conforme Thackara (2008) “as decisões de design moldam os processos por trás dos produtos que utilizamos. Os materiais e a energia necessária para produzi-los, o modo como os operamos no dia-a-dia e o que acontece com eles quando perdem a utilidade”. A escolha do material não acontece pelo motivo de se adequar à produção do produto ou seu possível efeito estético, e sim por motivos econômicos. Isso acontece no caso da madeira, ao qual substituiu o uso da madeira maciça, pelas placas de compensado e depois o aglomerado, na fabricação de móveis. O consumidor consciente de seu papel na sociedade consumista passou a exigir de produtos cujas características, além das de uso, estéticas e simbólicas, as características de segurança, sociais, e mais atualmente as características ambientais do produto que gera desequilíbrios no ecossistema da terra.

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