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A Reutilização das Embalagens: Uma viagem para o consumo consciente (Parte I)

Por | 13 de fevereiro de 2012 | Tags: , | 2 Comentários

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Embalagens se tornam lixo urbano e o designer é quem as projeta. Partindo desa percepção, como o profissional de design deve se confrontar com essa realidade que é um problema, afinal o lixo urbano é um dos grande desafios da sociedade moderna… na minha opinião, nós designer/ desenhadores somos um dos responsáveis pelo que se descarta.

Os requisitos ambientais para embalagens

Cada vez mais têm se discutido sobre a conscientização do problema ambiental. Acerca deste problema – e as atividades daí derivadas – seguiu um percurso que vai do tratamento da poluição (as políticas end-of-pipe, que tendem a neutralizar os efeitos ambientais negativos gerados pelas atividades produtivas), à interferência nos processos produtivos que geram tal poluição (tecnologias limpas), ao redesenho dos produtos industriais, num processo que se fazem necessários definido como produtos limpos. Esse tema levou à discussão e à reorientação de novos comportamentos sociais na procura por produtos e serviços que motivem a existência de tais processos e, conseqüentemente, desses produtos, o consumo limpo.

Na figura abaixo, temos um anuncio que reflete o que hoje é uma “tendência” do mercado, em se adequar a essas estratégias sustentáveis. Embora, esse seja um item essencial para a evolução de maneira consciente da sociedade: a sustentabilidade no geral. Contudo por vezes, nos passa certa ironia de algumas entidades, empresas, instituições, perante tal tema tão essencial. No cartaz logo abaixo, diz: “Coma esse Anúncio. Fomos tão fundo no assunto sustentabilidade, que este anuncio foi feito em papel comestível”. Ao lado do cartaz inteiro, está em tamanho maior, para melhor visualização e leitura.

 

 

 

A definição de sustentabilidade, em termos simples, é tudo aquilo que se sustenta, que trabalha em vida própria. Em artigo da revista EmbalagemMarca (nº 108), um dos temas que se propõe o Seminário Estratégico de Sustentabilidade na área de embalagem, organizado pelo Bloco de Comunicação no âmbito do Ciclo de Conhecimento é apontar caminhos e identificar providencias viáveis. Um dos pontos importantes é que as pessoas têm se dado conta, de forma crescente e não totalmente tardia, de que a administração insensata dos recursos naturais vem colocando em sério risco sua sobrevivência e a de seus descendentes. Em resumo, é preciso mudar, e já não cabe discutir quando, mas tomar atitudes.

O homem desde a Revolução Industrial vem produzindo produtos aos quais muitas vezes, não são pensados projeticamente em quanto este irá causar impacto no meio ambiente. Hoje, já passados aproximadamente 150 anos desde o inicio da Revolução, a humanidade enfrenta as conseqüências drásticas que causou ao meio ambiente durante este século que passou. Enquanto que no século XX foi marcada pelo começo da industrialização da sociedade moderna e desenvolvida, este século XXI é definido como sendo a era de propor e realizar alternativas para se produzir sustentavelmente, em projetar harmonicamente com a natureza.

Um estudo realizado no Reino Unido (University of Surrey, 2008) revelou que o impacto ambiental dos alimentos em relação ao cultivo, colheita, processamento, transporte, armazenamento, consumo e descarte trazem impactos ambientais muito superiores à embalagem.  Manzini (2005, p. 100) afirma: “no futuro, portanto, uma das tarefas para o desenvolvimento de novos produtos vai ser a de projetar o ciclo de vida inteiro do produto, ou, como se diz em inglês, projetar o Life Cycle Design (LCD)”. Abaixo está um esquema ilustrando as estratégias e fases do ciclo de vida do design.

 

 

Segundo o mesmo autor, para um produto ser eco-eficiente necessita satisfazer requisitos e estratégias apresentadas como: a minimização dos recursos (redução de uso de materiais e de energia, bem como, a escolha de recursos de baixo impacto ambiental, a otimização da vida dos produtos para que artefatos durem; a extensão da vida dos materiais em função de projetar para a possível reaplicação dos materiais descartados e a facilidade na desmontagem a fim de tornar fácil a separação das partes e dos materiais.

Para projetos industriais de embalagens, a fase de otimização da vida dos produtos, é relacionada às fases de distribuição, uso e de descarte/eliminação. “Num contexto do ciclo de vida que leve em consideração a duração de um produto e a possibilidade de reutilização de seus componentes e materiais, é mais eficaz partir de ideias de otimização da vida dos produtos ou da extensão da vida dos materiais” (MANZINI, 2005). É importante lembrar que em determinadas culturas o consumo “usa e joga fora” é o predominante. É complicado aplicar determinadas estratégias, como as referidas anteriormente para a otimização dos materiais no seu ciclo de vida, bem como a reutilização dos mesmos. Na maioria das vezes o próprio fabricante não se responsabiliza pelos refugos e descarte das embalagens e os produtos no geral.

“Na busca pela sustentabilidade, os requisitos ambientais deveriam ser prioritários, mas a verdade é que uma solução voltada para os critérios de redução do impacto ambiental, para ser vencedora, também deve ser, portanto, eco-eficiente” (MANZINI, 2005). Eco- eficiente entende-se a relação entre o valor de um produto, pela satisfação de um serviço oferecido, e o seu impacto ambiental, poluição e consumo de recursos, indica, em outras palavras, o grau em que está conjugada a redução do impacto ambiental para a produção, distribuição, uso e descarte, bem como com o aumento da qualidade dos serviços oferecidos. Gerevini (2007) apud Ferri (1976, p.116) descreve claramente as atitudes humanas perante a sociedade: “o homem provoca desequilíbrios ecológicos por motivos econômicos, por ganância, por desejar ganhar muito em pouco tempo, com o menor investimento possível de capital”.

Nossa sociedade é caracterizada pelo consumo demasiado, impulsionado pelo descarte em curto prazo de produtos e embalagens industriais. Por conseguinte, o consumo é uma necessidade humana. Segundo Manzini (2005), o ato de projetar produtos em prol da sustentabilidade é “uma atividade de design voltada ao encontro daquilo que é tecnicamente possível com o que é ecologicamente necessário, a fim de fazer surgir novas propostas aceitáveis cultural e socialmente”. Somente mudanças de comportamento e alterações nos padrões da sociedade é que alternativas inovadoras de design serão de fato bem aceitas.

 

 



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Babi Tubelo

Sempre soube que era isso o que queria, seguir alguma carreira onde eu pudesse desenhar! Ingressei na faculdade de Design de Produto, entretanto foi na área do design gráfico a qual segui trabalhando profissionalmente e que me cativou mais. Trabalhei em escritórios de design fazendo muitas ilustrações para produtos e pesquisa em tendências de moda. A ilustração é a área que mais me identifico e também foi sempre a minha maior paixão. Busco inspirações em todos os lugares. Muita música, leitura e pesquisa são fundamentais.

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