Um dos primeiros artigos que escrevi no Digital Paper (a dois anos atrás) foi “Trabalho Freelance: Quanto cobrar?“. Estava na hora de atualizar ele e colocar mais algumas informações para responder a pergunta que todo freelancer se faz uma vez na vida: quanto devo cobrar pelo meu serviço?

Quanto cobrar por um serviço?

Defina seu preço-base

Pra começar, você precisa definir sua base de ganhos por hora. Qual o mínimo de dinheiro que você precisa pra cobrar pra cobrir suas despesas sem fazer lucro em cima? Isso é o que chamamos de preço-base.

Assim que você estabelecer uma base e começar a entender quer receber um centavo a menos seria ruim (um projeto de prejuízo) vai ficar mais fácil de determinar quanto de lucro você quer fazer. Logo, isso vai fornecer um seguro viável para seus projetos e pode ajudar a colocar um preço no seu trabalho no mercado competitivo atual.

Definir o preço-base requer um pouco de matemática básica e um pouco de adivinhação. Quanto você precisa pra sobreviver um mês? Divida isto pelo tanto de tempo que você trabalha e você terá seu preço-base.

Por exemplo, vamos supor que você tenha R$ 1.000 em contas todos mês – aluguel, água, luz, telefone e comida. Vou assumir que você trabalhe todo dia útil, das 9 da manhã até 6 da tarde, tirando uma hora de almoço. No total, seria 8 horas de trabalho por dia. Multiplicando por 5 dias na semana e quatro semanas por mês, temos um total de 160 horas de trabalho mensais. Para que você sobreviva, você precisa ganhar pelo menos R$ 6,25 a hora.

Defina seu lucro

Lucro é o que sobra depois de todas as contas terem sido pagas.

Se você cobrar seu preço-base a seus clientes, nunca terá lucro; todo mês, você terá suas contas pagas mas não sobrará nenhum dinheiro extra. Então como fazer para ter uma grana afim de investir em equipamento melhor ou aquela tão sonhada viagem ao Paraguai pra comprar muamba?

O lucro você vai inserir no seu preço-base na hora de cobrar do cliente. Aqui você tem duas opções: ter um lucro absurdo (ou seja, seu valor por hora vai lá em cima), no entanto você terá menos clientes ou diminuir seu lucro e nunca ter trabalho faltando. O ideal é achar um meio-termo: seu lucro é o suficiente para te incentivar a continuar trabalhando mas não tão pouco que você acabe trabalhando em 10 projetos por vez e fazendo todos eles com qualidade inferior.

Mas como se define o lucro? Lucro é o prêmio adicional pelo seu trabalho que contribuiu com o crescimento do negócio ou empresa do seu cliente. Se seu trabalho é diferente do de outros profissionais, se você tem aquele diferencial que mais ninguém tem, você pode obter um lucro maior por causa da exclusividade. Por exemplo, se seu atendimento ao cliente é excelente, você trabalha mais rápido que seus concorrentes ou qualquer outro diferencial, seu lucro poderá ser maior. E é aqui que entra a parte de adivinhação.

Quanto vale seu diferencial? Quanto você honestamente acha que seu trabalho vale? Dez porcento em cima do seu preço-base? Vinte? Cem? Duzentos? Aqui vai de você. Mas cuidado com sua escolha!

Seguindo nosso exemplo, vamos dizer que o lucro é de 100% do preço-base porque o serviço é excelente e você faz algo que nenhum outro profissional faz. De R$ 6,25 a hora, você passou a cobrar R$ 12,50. No fim do mês, seu ganho será de R$ 2.000 e o lucro será R$ 1.000.

Defina a duração do projeto

Essa é a variável final da equação, e a mais difícil também. Primeiro, você precisa saber exatamente o que seu cliente quer. E aí que entra a necessidade do briefing. Com isso em mãos, é necessário que você conheça-te a ti mesmo. Quanto tempo demora para você fazer um site parecido com o que o seu cliente quer? Quatro dias? Quatro semanas?

O briefing não serve apenas para medir quanto tempo você acha que vai precisar, mas também para ficar de olho no que pode ser feito, como pode ser feito e como estabelecer regras para que seu cliente não decida mudar tudo na última hora. Um briefing deve estabelecer claramente o que o cliente quer. Assim, você pode definir quanto vai cobrar pelo que está escrito no documento. Se o cliente decidir mudar algo ou pede por algo extra que não está incluso no documento, então o freelancer têm todo o direito de cobrar a mais pelo trabalho extra.

No nosso exemplo, vamos assumir que você vá precisar de pelo menos 20 dias para fazer o projeto daquele cliente. Ou seja, 160 horas.

Agora temos seu valor-base, sua porcentagem de lucro e o número de horas que vai demorar para finalizar um projeto. Está na hora da…

A Fórmula Mágica

Fórmula Mágica

Seguindo nosso exemplo, trabalhando por R$ 6,25 a hora, lucrando 100%, você estaria cobrando R$ 12,50 a hora. Multiplique pelo número de horas estimada (160) e pronto! O valor a ser cobrado é R$ 2.000.

Mas, peraí. Esse cálculo é óbvio, não é? Não. Muitos freelancers lá fora, quer sejam escritores, designers, programadores ou músicos continuamente falham em criar regras de trabalho quando o assunto é cobrar o projeto adequadamente.

Freqüentemente existe uma tendência de cobrar um preço abaixo do mercado; talvez pelo fato de que não têm idéia de quanto devem cobrar, talvez porque eles estão tão preocupados com adversários em potencial e acham que quanto menor o preço, melhor o preço, mas mais freqüentemente é porque eles não acertaram seu preço base, o lucro que querem ganhar em cima e o número de horas que vai demorar para completar um projeto.

Crie seu próprio preço-base e lucro e nunca ofereça um preço para um trabalho que seja menos do que você precisa pra sair sem prejuízo. Faça essas coisas básicas e seu preço sempre estará certo!

*Editado* – Obrigado Danillo e Rafael pelas correções.

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