Domingo. Seis e meia da manhã. Dia de descanço para muitos, já para outros, nem tanto. Policiais, bombeiros, médicos, eletricistas, donos de negócios…todos trabalhando. Ou de plantão, que nem eu: Doutor Designer. Mas até agora, tudo tranquílo. Pensei comigo mesmo, “vou fechar os olhos e dormir até as dez e meia”. Foi só concluir esse pensamento com um ponto final e meu celular toca. Utilizando minha melhor voz de sono na vaga esperança de me permitirem voltar a dormir, atendi:
“Doutor Designer. Sim. Sim. A cor deve estar de acordo com a pré-impressão. Não, não. Preto é mais que 15%. Ciano? Por que tão tanto? Não. Não! NÃO! Espera aí, estou chegando.”

Incrível o que emergências fazem com nosso corpo; fazemos tudo mais rápido, esforçando-se para ficar concentrados no que estamos fazendo, o raciocínio vai a mil. É a adrenalina fluíndo pelo corpo. Pura adrenalina.
Dez minutos depois (incrível como o trânsito se resume a jovens voltando da balada, dirigindo devagar no domingo de manhã), chego no escritório.
“O que houve!?” chego perguntando. Não há tempo para “bom dia” e outras frivolidades. É uma emergência, pelo amor de Deus.
“O arquivo errado foi enviado para a gráfica” responde o André, responsável pelo projeto.
“Coloque-o na mesa. Rápido!” digo eu. Uma análise técnica do material revela um problema maior: “está desfribilando. Outro material foi usado!”
“Meu Deus! E agora?! A entrega é pra amanhã!”
“André, não é hora para se entrar em pânico. Precisamos agir rápido.”
“Ele está desfibrilando! Estamos perdendo consistência Doutor!”
“Rápido, me alcance um rolo de contact. Vamos André, não podemos perdê-lo”.
Precisamos concertar este problema para mostrar ao cliente amanhã, pois senão iremos perdê-lo. E nesta linha de trabalho, uma perda pode ser fatal. É fatal.
“Doutor, aqui.”
“Ok. Tesoura.”
“Tesoura, doutor.”
“Segure esta ponta. Ok, lá vamos nós. AFASTAR!”
Incrível como 20 segundos custam a passar nessas situações. São os 20 segundos que irão definir o resto da vida deste projeto.
“Está aderindo, doutor. A consistência dele está voltando. Acho que conseguimos!”
Suor já molha minha testa. Salvamos ele. Agora, precisamos salvar o resto.
“André, ligue pra gráfica. Diga que este estava azul demais e que precisamos de mais para amanhã. Precisamos concertar isto. Prepare um espaço na estufa, leve este pra lá e fique de olho nele por mais uma meia-hora.”
“Tá certo, doutor. Onde o senhor vai?”
“Voltar pra casa. Meu trabalho aqui está feito. Qualquer coisa, estou de plantão.”
“Obrigado, Doutor Designer.”
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4 comentários
Douor, estou com uma contrusão no pumão esqerdo! xD
Aew canha isso ai é baseado em fatos reais?
aiusheiahsiuease
É baseado em fatos semi-reais. O fato é que eu estava em casa, numa boa, em plena segunda-feira de manhã quando me ligam com um problema grande me fazendo ter que deslocar-me de minha cama quentinha e vir até a faculdade resolver alguns problemas. E no caminho, como estava ainda morrendo de sono, sonhei de olhos abertos esta situação. Achei engraçado, então decidi publicar aqui.
Abraços
Não só o fato foi engraçado como a maneira que você escreveu.
xD
Parabéns, gostei bastante da história, baseada em fatos reais aksoaosk
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