Uma das coisas que noto ser algo recorrente são os profissionais deixando de defender seus trabalhos. Mesmo quando não há necessidade – por exemplo, quando o cliente milagrosamente aprova de primeira – ainda é interessante dar explicações às suas decisões.

Muitos clientes querem alterar seu trabalho. Querem que você pegue o logo, troque por uma fonte ao estilo “Comic Sans” e mude para um fundo roxo com letra azul. Você sabe que a “Comic Sans” serve apenas para balões de falas em quadrinhos, e que azul em fundo roxo dá pouco contraste, e por conseqüência pouca visibilidade. Quem sabe até as cores não sejam apropriadas para o ramo da empresa – se for de alimentos, ou um restaurante por exemplo. Aí que entra a importância de defender o seu trabalho.
Explique sua decisões

Não diga apenas que “não fica legal”, afinal de contas beleza é apenas um conceito. Designer precisa se basear no concreto. Dê razões para explicar o que você fez. Claro, você não vai dizer isto em tom de quem está caçoando ou tentar demonstrar que você sabe mais que o cliente de uma maneira negativa. Seja positivo, mesmo que tenha que mentir um pouco:
“Embora as cores azul e roxo sejam de sua preferência pessoal, de acordo com a psicologia das cores, o vermelho e amarelo estimulam o apetite por serem cores quentes. Já o azul e roxo servem como inibidores de apetite, algo que seria ruim para a imagem da sua rede de fast-food.”
Aplique seu conhecimento

Tente ser firme. Aplique seu conhecimento na defesa do seu trabalho. Ache pesquisas e dê peso ao seu argumento. Você já demonstrou que roxo e azul são uma má idéia, mas seja mais concreto. Use de referência se necessário. Mostre sua pesquisa de similares e concorrentes (que você deveria ter feito antes de começar o trabalho). Se o cliente diz que ele quer inovar, mostre a ele trechos de pesquisas que são divergentes à decisão dele. No Google você encontra essas respostas – só evite de utilizar o Wikipedia, que não é uma fonte de informação confiável.
“De acordo com estudos recentes [insira citação aqui], a cor azul tem sido usado bastante por nutricionistas para inibir o apetite. Como o objetivo da sua identidade visual é justamente estimular a fome, sugiro que levemos em consideração este estudo científico que é baseado em fatores sólidos do estudo da psique humana”
Lembre-o: o trabalho é para os clientes DELE
Meu outro artigo “Seu site não é para você!” pode ser aplicado a qualquer trabalho gráfico. Seu cliente precisa entender que o problema a ser solucionado não é “Como agradar a pessoa que está pagando” mas sim “Como fazer com que a pessoa que está pagando obtenha um lucro maior tendo uma identidade visual mais sólida e pertinente com seu negócio“.
O objetivo de um designer é poder conciliar o gosto pessoal do cliente com a necessidade real dele. Muitas vezes isto não é possível e por isto é seu dever lembrá-lo de que o importante é resolver o problema da necessidade real. Mais cedo ou mais tarde, o cliente vai se acostumar com o trabalho e te agradecer por ter sido persistente. Ou não. Mas o que importa é fazer a coisa certa.
Você defende o seu trabalho?
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7 comentários
sim,,, Com argumetações bibliográficas coerentes seu trabalho fica mais valorizado, pois o cliente sabe que todo o seu trabalho é fundamentado em uma teoria sólida.
Além do mais, mostrando embasamento sólido mostra ao cliente que vc sabe o que está fazendo e, por conseguinte, demonstra que merece a confiança dele.
Abraço a todos…
Cara… muito bom esse blog ;)
rss COM CERTEZA ;D
O trabalho de desenvolvimento de um projeto de identidade visual, como foi exemplificado no artigo, é um dos que mais sofrem com a “interferência” dos clientes.
O problema dos clientes é que eles acreditam que, como estão pagando pelo projeto, este deve atender as suas expectativas e preferências pessoais.
O que fica claro, na maioria dos casos, é que os clientes acabam expondo sua falta de conhecimento técnico e de bom senso estético.
Fora isso, há a insensatez de não se atentarem ao fato de que é preciso contratar o trabalho de um profissional profissional, e não de um “profissional” de fundo de quintal.
É por esse motivo que muitos dos trabalhos de “design” observamos por aí são de terrível qualidade – para não falar logo sem qualidade.
Parabéns pela explanação!
olá…
tenho que te dar os parabéns por muitas vezes dizer exatamente o que eu penso sobre clientes, aprovações de lay-out, escolha de cores feitas por esposas e outros percalços do design…
só gostaria de dizer que não concordo com a tua colocação:
“evite de utilizar o Wikipedia, que não é uma fonte de informação confiável.”
afinal de contas, hoje se pode citar ABSOLUTAMENTE TUDO, nada mais é confiável ou não, tudo passou a ser a mesma coisa que wikipedia, google, etc…
embora a academia ainda tenha um ranço grande contra “fontes não acadêmicas” [como o wikipedia por exemplo], isso só deveria ficar dentro das salas de aula ou nas reuniões de corpo docente, nunca em meios tão abrangentes como o teu blog…
pense, você não é a academia, não precisa da academia, não ganha nada reiterando o ponto de vista da academia…
portanto, relaxe e aceite que tudo e qualquer coisa serve para ser citado na hora de convencer o cliente…
pois se não for você [o designer] lá mostrando pra ele que quem entende é você, ele vai mesmo é fazer logos com fundo roxo e letra azul… e disso já estamos cheios no mercado…
e é sempre bom lembrar que não é para ganhar dinheiro que defendemos o nosso trabalho… é para evitar que acabemos assinando algo tão ruim que só o cliente acha que está bom, e acabemos querendo apagar da memória de que um dia nos prostituímos a tal ponto…
abraços://
Muito bom esse artigo.
Defendo sim até o último respiro o meu trabalho. Pena que a maioria dos clientes ainda não tem um “respeito” pelos designers, por não conhecer a profissão, por não confiar nela e/ou por conhecer somente trabalho (e orçamento) dos marketeiros.
Mas tenho que dizer que já me surpreendi algumas vezes com opiniões de clientes que não entendem nada de gestalt, e que vieram a ter opiniões positivas no trabalho.
Portanto, é sempre bom achar um meio termo entre saber ouvir o cliente e fazer com que ele te ouça e te respeite como profissional, e para isso, temos que mostrar que sabemos, justamente com o embasamento teórico citado acima.
Não é só por defender, é até para deixar para o cliente que ele não esta ncontratando um “pintor” e sim um profissional que sabe o que está fazendo, com fundamento no que foi contruido, provando que tem teoria para explicação da cor, da tipografia.
Falar sobre o que você é umamaneira até de mostra o cliente que ele deve te indicar, não porque faz algo “bonito”, mas algo com conceito.
Não conhecia esse blog… Tô adorando!
Parabéns!
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[...] tempo atrás escrevi um artigo intitulado “Defenda seu trabalho“. Após ler um artigo no LogoBR lembrei de um ítem que esqueci de mencionar: não defenda [...]
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