Acontece mais do que o esperado: você faz um trabalho pro cliente, ele gosta, você envia todo o material e espera o pagamento e nada. O que fazer nestas horas? Como evitar estes problemas?

Certa vez, algum tempo atrás, fechei um contrato com um cliente de desenvolver um site e mantê-lo por 12 mêses. Iria receber um salário fixo por isso. Nada mau. Comecei a desenvolver o site, mostrava, o cliente queria modificações, modificava, mostrava, mais modificações, mostrava, mais modificações. Tudo bem, estava ganhando por mês. Até que certo mês o pagamento atrasou. Atrasou uma semana, duas, três, um mês inteiro. Resultado? Parei de trabalhar. Comecei a cobrar, e o cliente me dá essa pérola: “você só trabalha por dinheiro, é?”. Oras, que pergunta digno de uma anta. Claro! Eu tenho contas a pagar, tenho que me sustentar. Não posso trabalhar de graça, tal como qualquer outra pessoa. No final, rolou uma briga e o site foi cancelado. Ele jogou dinheiro fora, eu joguei tempo fora. Nenhum de nós ganhou nada com isso, mas ele insistia “ah, mas pelo menos você recebeu dinheiro! Eu não ganhei absolutamente nada com isso!”. Claro que não ganhou! Mas eu também perdi com isso. Tive que desistir de outros clientes em potencial pois não tinha tempo. Perdi bons clientes e não ganhei o suficiente, resultado: saldo negativo.

Mas como evitar esse tipo de inconveniente? Oras, é muito simples! O primeiro passo a se tomar é a criação de um contrato. O contrato precisa ter tudo escrito, desde o que você vai fazer e o que você não vai fazer. É preciso dizer como que vai ser feito e pra quando que vai ser feito. Um ponto importantíssimo é constar que, se por algum motivo o projeto demorar mais tempo (por exemplo, o cliente pedir alterações vez após vez), o contrato precisa ser re-escrito e o valor do trabalho precisa ser redefinido.

Não é incomum no mundo de desenvolvimento web, por exemplo, que você se ofereça a hospedar o site do cliente em um host de sua preferência. Mas surge um gigante problema com isso: se o host der problema, o cliente vai vir atrás de você. Um jeito de solucionar isto, é falar pro cliente que ele que precisa arranjar um jeito de hospedar a página. Se ele não souber como, diga que você o fará mas que a responsabilidade do up-time e do funcionamento online da página é inteiramente do host. E por isso é importante o contrato: você vai escrever isso lá! Assim, se por algum motivo o servidor ir por água abaixo você estará protegido; não é problema seu. Afinal de contas, você não quer o cliente ligando no domingo de manhã reclamando que o site dele está fora do ar (acredite, isto acontece com muita frequência quando o cliente insiste em pegar um servidor gratuíto). Acontece também de pessoas plagiarem textos, colocando-as como texto próprio especialmente os artigos aqui do Digital Paper – mas isso é outra história.

Outra maneira de evitar que você não receba seu pagamento, é sempre pedir um valor de entrada. Eu custumo cobrar 25% de entrada para projetos maiores (acima de R$ 1.000,00), e 50% para projetos menores que custem menos de mil doletas. Você cobra o valor de entrada, faz o serviço, mostra o que foi feito, recebe a aprovação, recebe o dinheiro restante e só depois entrega o projeto pronto com toda a documentação.

“Mas Canha, o cliente não confia em mim. Ele quer que eu faça tudo, envie o material para ele e depois eu recebo o pagamento”. Fique de olho nestes clientes! Procure saber se ele é honesto antes de fazer isto. Existem pessoas que passam por cima de quem precisam pra conseguir as coisas de graça. Se o cliente não consegue confiar no contrato (assinado por você, por ele e por duas testemunhas em três vias), o assunto complica. Muitas vezes, o cliente vai ter dinheiro para contratar um advogado caso você tente passar a perna nele. Mas se ele fizer isso com você, convenhamos que a vida de freelancer não é das melhores e contratar um advogado para meter um processo no cliente vai lhe custar muito mais tempo e dinheiro. De qualquer maneira, o cliente mesmo com um contrato não confia em você? Procure outro cliente.

Me passaram a perna: fiz um trabalho, entreguei e não fui pago. E agora? Existem maneiras de resolver isto, algumas não muito éticas. Quando eu faço um site, me ofereço pra hospedá-lo. Eu só entrego a senha da hospedagem depois de receber o pagamento final. Se o cliente não pagar, tiro o site do ar e redireciono a URL para meu portfólio. E quanto ao desenvolvimento de um logo, por exemplo? Aí que complica.

Se você já entregou tudo nas mãos do cliente, insista por pelo menos mais um mês para que ele te pague o que deve. Ele não têm dinheiro? Que devolva o logo então, ou qualquer coisa que você tenha enviado. Depois do primeiro mês sem receber nada, passe a ligar todo dia no segundo mês. Não seja hostil, pois isso só gera um atrito entre você e o cliente e é capaz dele não pagar mesmo. Depois do segundo mês, procure enviar um pedido escrito junto com uma cópia do contrato destacando a parte sobre o pagamento, de preferência por carta registrada assim ele têm que aceitar. Três mêses e nada? Diga que ele têm até 15 dias para pagar, senão você processa ele. Quinze dias e nada? Veja com um advogado como fazer para botar mais pressão. Faça de tudo para que você não tenha que processar seu cliente. Por quê? Oras, a justiça brasileira não é famosa pela rapidez nem pelo baixo-custo. Provávelmente, você estará gastando mais dinheiro no processo do que estaria ganhando em primeiro lugar.

Resumindo:

  • Tente conhecer o cliente antes de começar a trabalhar com ele. Saiba se ele já passou por problemas antes. Se existe muita coisa ruim sobre ele, é recomendável ficar de olho ou perguntar cara-a-cara o que houve (lembre-se: uma história têm sempre dois lados!).
  • Escreva sempre um contrato detalhando tudo: o que você vai fazer, o que você não vai fazer, como que será feito, pra quando que será feito, qual o valor, etc.
  • No contrato, coloque que o valor e o prazo de entrega do projeto pode ser alterado caso fatores que não são previstos no contrato influenciem (por exemplo, alterações demais).
  • Peça um valor de entrada e conste isto no contrato. Um valor de 50% do total do projeto é geralmente o suficiente. Fale com seu cliente antes e negocie este valor.
  • No contrato é necessário constar nome, endereço, CPF e RG de ambos vocês.
  • Faça três vias – duas pra você e uma pra ele. Peça para ele conferir e assinar todas as vias. É interessante colocar mais duas testemunhas (geralmente, só o nome e CPF delas bastam, e pode ser escrito manualmente no contrato), e tê-las assinarem.
  • É interessante – caso você não emita nota-fiscal – emitir um recibo de profissional autônomo (RPA). Coloque seu nome, endereço, CPF, RG, diga que você reconhece que recebeu o valor de R$ X na data Y, tenha-o em duas vias e peça pra o cliente assinar ambas e ficar com uma.
  • Ao entregar o projeto final, certifique-se de que você está recebendo o pagamento no ato. Se possível, prepare um contrato de conclusão de prestação de serviço, onde você vai dizer o que foi feito, o que foi entregue e o que pode ser usado pelo cliente, além de informar que o pagamento final foi efetuado. O cliente não pode pagar na hora da entrega? Bom, informe-o que você entregará o projeto assim que ele puder.
  • Caso o cliente não pague, faça uma pressão. Se continuar não pagando, entre em contato com um advogado para ver o que pode ser feito.
  • Lembre ao seu cliente uma regra do marketing: “para cada pessoa infeliz com um serviço ou produto, ela comunicará a pelo menos 9 outras pessoas sobre sua insatisfação”. Como você estará infeliz com o serviço do seu cliente (no caso, a falta de pagamento dele), você têm toda a liberdade para informar a outras pessoas sobre seu problema. Mas cuidado! Você não quer ser processado por difamação de caráter. Então fale bem dele: “ótimo cliente, prestativo, atencioso, mas não paga pelos serviços contratados”. Funciona! Eles se mordem por dentro.

Lembre-se sempre de jogar limpo. Seja honesto com seu cliente e consigo mesmo.

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