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Testes Simples: Usabilidade

Estou dando início a uma série de artigos chamados “Testes Simples”. O objetivo é apresentar uma série de testes aplicáveis durante os processos de desenvolvimento de novos sites, afim de criar uma experiência boa ao usuário final. Neste artigo, vamos tratar um pouco sobre testes simples de usabilidade.

Um site nem sempre é intuitivo. Seria melhor se fosse, claro. Mas existem vezes onde o cliente ou quer algo diferente, ou a situação pede por algo diferente. Nestes casos, testes de usabillidade chegam a ser de vital importância.

O que é usabilidade?

Antes de mais nada: para que serve um teste de usabilidade? Simplificando bastante, um teste de usabilidade serve para conferir se o produto (ou, neste caso, o site) cumpre sua função de acordo com os potenciais consumidores. É perfeitamente normal um designer (ou programador, ou “wharever“) estar tão envolvido no projeto que ele acaba não notando alguns erros. Por exemplo: o menu não parece ser um menu, fato que pode deixar o usuário confuso.

Os testes de usabilidade são feitos com usuários que não estão envolvidos internamente com o projeto. Pessoas normais de diferentes idades e níveis de conhecimento são convidadas para testar um site afim de juntar informações de como um público maior iria reagir. Estes testes são de grande importância para saber se “todos vão saber como fazer o site funcionar” e são recomendados em todos os casos.

Steve Krug, no seu livro “Não Me Faça Pensar” (um must-have para qualquer um que trabalhe com web) traz alguns exemplos de como fazer alguns testes de usabilidade, mas neste artigo vou mostrar como fazer alguns testes mais simples e efetivos. É lógico que o ideal é você fazer testes mais completos, mas quando o tempo é escasso e não há um local apropriado para fazê-los, o jeito é se virar.

O teste da mãe

Minha mãe mal sabe usar o computador. Ela sabe ligá-lo e abrir seu jogo de Mahjong. Também sabe abrir o navegador para conferir os números da Mega-Sena no site da Caixa (ela só faz isso por que a gente nunca ganhou). Fora isso, seu conhecimento em internet é próximo do nulo. E isso é um jeito excelente de testar novos sites.

Como fazer um teste simples?

Chame sua mãe, diarista ou qualquer pessoa que você conheça cujo conhecimento em internet seja limitado. Abra seu site para ela e peça para que faça tarefas simples enquanto você a observa. Vamos pedir para que ela encontre um jeito de entrar em contato com o dono do site. Veja aonde ela clica. Se você não estiver presente, peça para ela te dizer o que ela está fazendo. Quando ela conseguir achar a área de contato, peça para ela descrever como chegou lá e, numa escala de 1 a 10, qual o nível de dificuldade em encontrar aquela seção. Lembre-se de anotar tudo.

O teste do miguxo

Quem não tem ao menos um amigo no MSN que faz você pensar que o sistema de educação deveria incluir a ortografia na web, que atire a primeira folha de CSS. São aquelas pessoas que usam o computador exclusivamente para bater papo no MSN e ficar mandando scraps no Orkut e só. Não vamos entrar no mérito de se a inclusão digital é o melhor caminho a seguir, mas vamos sim usá-los como nossos ratos de laboratório pois eles (geralmente) sabem mais de web do que sua mãe.

Como fazer um teste simples?

Chame aquele miguxo na web e explique para ele que você precisa fazer uns testes com ele. Peça para que ele acesse o site e busque por uma informação específica. Se for um blog (tipo, o Digital Paper), vamos pedir para ele encontrar um artigo chamado “Download de facas para impressão“. Quando ele encontrar, pergunte-o como ele chegou lá pois ele pode ter feito de duas maneiras: pela caixa de busca na lateral do site, visitando a próxima página dos artigos ou até mesmo clicando em um artigo qualquer até chegar por acaso no que pedimos. Se ele não encontrou, pergunte como que ele procurou: se apenas olhou a primeira página e desistiu, se o sistema de buscas não encontrou nada (veja como ele digitou também – é provável que ele tenha escrito errado e isso é um problema que infelizmente é problema nosso), etc.

O teste do nerd

Esse visa conferir mais por problemas de desenvolvimento que problemas de usabilidade per sé, mas não deixa de ser importante. O amigo nerd vai te falar se o site tá renderizando direito no navegador específico dele, na resolução de tela e sistema operacional que ele usa. Além de dar palpites chatos – vale lembrar que não são só os nerds que dão palpites chatos. Mas aí é só saber filtrar ;)

Como fazer um teste simples?

Confira primeiro se o navegador do nerd é diferente do seu, o mesmo vale para a resolução de tela e sistema operacional. Um nerd que se preze vai logo te falar que está usando o Firefox 3.0.2, resolução de 1152 x 864, Windows XP Pro SP2 e muito provavelmente vá te dar dados que não interessam tanto como por exemplo, a marca e número de série daquela placa de vídeo nova que ele acabou de comprar depois de vender sua alma pro capeta. Aqueles dados inicias podem ser úteis para descobrir problemas de renderização do seu site em outros computadores. Mande um print de tela de como deveria ficar para seu amigo e peça para ele analisar se está tudo do mesmo jeito, ou peça para ele te passar um print da tela dele e você mesmo analisa.

Analisando os dados

Após recolher todas as informações, está na hora de analisá-las. Quais dificuldades foram encontradas? Por que algumas pessoas tiveram dificuldades? Quão objetivo é o site? A navegação está fácil ou ninguém entende como funciona? Após responder essas perguntas, veja o que pode ser alterado no site e faça acontecer. Depois de fazer algumas alterações, faça mais testes. Não faça apenas com as mesmas pessoas: faça com elas e com novas para saber se outros problemas surgiram.

Case: teste de usabilidade no site do Tecplus

O site do evento Tecplus 2008 teve alguns objetivos bem específicos:
1) Informar o que, quando e onde é o evento;
2) Informar aos patrocinadores e apoiadores como eles podem ajudar;
3) Informar aos estudantes como participar.

Após a primeira versão do site ter sido feita, fiz os três testes:
No “teste da mãe“, descobri que ela entendia como a navegação funcionava porém demorou um pouco pois o menu não apresentava característica de link; ou seja, o mouse não mudava do ponteiro normal para a “mãozinha”.
Ao fazer o “teste miguxo“, a pessoa conseguiu descobrir o que era e quando era o evento após ler todo o texto do primeiro ítem do menu (”Que, quando, onde”), mas ficaria muito mais óbvio se essas informações ficassem logo no título da página.
Quando fiz o “teste do nerd“, notei que caso o navegador da pessoa não suportasse Javascript, ela não iria conseguir acessar o site direito. Resolvi isso usando Javascript não-obtrusivo que mostrasse o site normalmente caso a pessoa estiver com o JS desativado.

Considerações finais

Não é necessário testar um site com centenas de pessoas; selecionando algumas que tenham características específicas (ou seja, os estereótipos de leigo, mediano e inteligente) e pedindo para que elas executem algumas tarefas básicas é o suficiente para saber como que vai ser a aceitação geral do site.

Quais seus métodos mais usados para fazer testes de usabilidade? Comente! E fiquem ligados nos próximos artigos de Testes Simples – assine nosso feed para não perder nenhum.

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Canha

Canha é o criador do Design.blog e co-fundador do xCakeBlogs. Ele é designer e blogueiro. Arquivado na categoria Web Design Web Development



14 Comentários

  1. Pablo Willian
    29/09/2008 às 10:54 | #

    só nao esqueça que no teste vc tem que avaliar a funcionalidade!
    pq se for em questão de layout sua mãe sempre vai lhe dar uma resposta positiva!

    *Está L-I-N-D-O queridinho! vc vai querer mais café?” ¬¬´

  2. André HP
    29/09/2008 às 13:50 | #

    Canha, é interessante esse artigo, e espero que teremos outros da mesma natureza, já que é um assunto pouco explorado no DP.

    É interessante ressaltar que testes profissionais de usabilidade são de alto custo.

    Abraços.

  3. Claudia Regina
    29/09/2008 às 15:25 | #

    Eu aposto que falei da falta da mãozinha nos links antes da sua mãe u.u

  4. Bruno
    29/09/2008 às 15:38 | #

    Q preconceito com os nerds (iauhaiuhaiuhauia)

    Esses mencionados ae são GEEKs…

  5. Canha
    29/09/2008 às 19:35 | #

    @Claudia
    É verdade. Sabia que alguma mulher tinha mencionado isso antes.
    My bad ^^

    @Bruno
    Notei que muitos dos meus leitores não sabem o que é um geek. Aí preferi usar nerd. auisehause

  6. Claudia Regina
    29/09/2008 às 21:28 | #

    “Um nerd que se preze vai logo te falar que está usando o Firefox 3.0.2, resolução de 1152 x 864, Windows XP Pro SP2 e muito provavelmente vá te dar dados que não interessam tanto como por exemplo, a marca e número de série daquela placa de vídeo nova que ele acabou de comprar depois de vender sua alma pro capeta.”

    Essa parte ficou engraçada xD
    Só que esse nerd tá desatualizado porque já estamos na versão 3.0.3 do Firefox. :P

  7. Marcelo R Souza
    29/09/2008 às 21:53 | #

    Canha o teste do nerd eu mesmo faço. Hehehe
    Eu sou o cara mais chato do mundo em relação a testes, se der um errinho eu mesmo me chingo. Acho que os testes aqui não chega a ser simples, pois cobre quase todas premissas de desenvolvimento seja de web sites como de programas proprietários.
    Parabéns mais um excelente post. Ai to virando leitor.

  8. José Henrique Fernandes
    29/09/2008 às 23:48 | #

    Uma site que sempre uso para testar meu site em diferentes resoluções e navegadores é o http://browsershots.org/ ;)

  9. capi etheriel
    30/09/2008 às 09:39 | #

    um geek/nerd que se preze não usa windows XP pro qualquer coisa. btw, dificilmente usa windows.
    usar windows e se prezar é bem difícil, exceto se vc for gamer (que vc descreveu bem, com placas de video caras e palpites chatos desnecessarios).

  10. artur
    30/09/2008 às 14:25 | #

    hã?

    oO

  11. Canha
    30/09/2008 às 20:26 | #

    Lá vamos nós, entrar naquela discussão de “true geek” versus “untrue geek”.

    Um geek que se preze usa roupas xadrez, óculos fundo-de-garrafa, é obeso ou mórbimante desnutrido, não possui pigmentação alguma na pele, anda com um notebook pra cima e pra baixo e só usa Linux.

    Perdão, Slackware. Pq Slackware é Slackware, e não é Linux.

    E sem interface gráfica.

    Por que geek que se preze faz isso.

    Não é? =}

    —-

    @Claudia,
    Na hora em que escrevi o artigo, estava com Firefox .2 ainda oras. auishasue

  12. Gisely Chessed
    30/09/2008 às 22:14 | #

    Olá, se vc puder me ajudar, desde já agradeço. Quero desenvolver artigos de papelaria diferenciados e tenho me inspirado em diversos sites americanos. Fiz um curso de “design gráfico” , tradução ” corel, pagemaker e photoshop basiquíssimo” e obviamente não me considero uma designer. Estou aguardando a abertura de um curso sobre tipografia na oficina tipográfica SP, entre outros, pra me inteirar sobre o assunto e gostaria de algumas dicas já que esse universo tem vários nichos e não encontrei nada específico ainda, como produção de agendas, convites modernos, papel para embrulho e etc.

    Grata,

  13. Canha
    01/10/2008 às 20:40 | #

    Gisely,
    Têm vários artigos aqui no Digital Paper sobre alguns destes assuntos. Dá uma pesquisadinha que vai ver você encontra algo que já tenha sido respondido ;)

    Qualquer coisa, só avisar.

    Abraços

  14. Gabys
    17/10/2008 às 11:12 | #

    muito bom hahaha
    uma solução muito simples e eficaz.




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