Conforme-se. É impossível agradar a gregos e troianos. Não há design que não será criticado e não há redesign que não vá ser esculachado. E eu vou explicar o porquê.

voce-fede

Se você for um designer informado, já terá visto todo o auê que o novo logo da Gap (a maior varejista especializada dos EUA) criou, que fez com que o logo fosse revertido ao original. O mesmo acontece com o novo logo do MySpace, o redesign do site Digg e tantas outras situações.

Os problemas com redesigns

O problema dos redesigns de logos, sites ou identidades visuais de qualquer marca é também o maior aliado do designer: o branding. É difícil encontrar qualquer exemplo onde um redesign foi visto pelo público geral como algo benéfico à marca. Fácil é encontrar os exemplos onde novos logos foram escrachados pela mídia, outras empresas e designers famosos.

Logos

Re-desenhados e odiados

Mas e o que o branding tem a ver com isso, Canha?“. É simples: como já expliquei no artigo sobre “O que é branding?“, branding é a imagem percebida que o consumidor tem sobre um produto, serviço, empresa ou até mesmo marca. Altere a marca, e toda a imagem percebida do consumidor desaparece. Seja ela boa, ou seja ela má, a percepção muda. E ninguém sente conforto em ter que re-analisar (mesmo que inconscientemente) o que aquela marca representa para si.

Afinal de contas, o ser humano prefere se acomodar quanto a um assunto, ter uma opinião já definida e manter aquilo. Mude algo e você força ele a repensar tudo.

As opiniões de designers

Se existe algo que aprendi na faculdade foi “nunca peça a opinião de um colega designer“. Pode parecer besteira, mas é verdade. Basta colocar alguma imagem no Deviantart ou até mesmo no Forum de Design e pedir a opinião de outras pessoas. Talvez você tenha muitos elogios, mas você também terá críticas duras (construtivas ou não). Sempre existe um designer que chegaria a mesma solução de forma alternativa.

Não digo que críticas são desnecessárias. Pelo contrário, as vezes pode ser de grande ajuda. No entanto, muitas vezes o crítico não está a par do briefing – e isto muda muita coisa. Como todos sabem, o briefing é o guia que nosso cliente nos dá sobre o que ele precisa ou quer feito. Uma mensagem pode ser transmitida de várias maneiras diferentes, mas sempre precisa ser algo que está acertado já no briefing (para evitar as refações). É raro ver algum designer dizer: “Hey, analisem meu trabalho (e levem em conta o briefing logo abaixo)“.

Mesmo se o briefing estiver lá e os críticos entenderem-no, sempre haverá aquele designer que teria optado por outra solução. E, para quem está recebendo a crítica, isto pode ser frustrante pois indica que você não pensou em tudo e, dependendo de como a crítica estiver escrita, pode acabar com sua auto-estima.

No final das contas, o que importa mesmo é a opinião do cliente (isto quando ele entende que sua solução não é baseada em fatores aleatórios). A única outra pessoa que permito que opine os meus trabalhos é a minha esposa – e mesmo assim, nunca consegui 100% da aprovação dela.

Você nunca será bom o suficiente

Mais uma vez, é impossível agradar a gregos e troianos. Não importa se o seu design é o mais incrível do mundo, ou que o novo logo daquela empresa seja um verdadeiro passo à frente para a imagem da marca, sempre haverá alguém que não acredite ser a melhor solução ou que ache que o novo logo destrói toda a percepção dela da marca. Nos olhos de outros companheiros da área, você talvez nunca seja o melhor – conforme-se com isto mas nunca desista. Por experiência própria, sei que basta apenas um “gostei” para ter valido a pena por ter feito qualquer coisa.

Minha sugestão final é: por mais que você odeie algo que outro designer tenha feito, lembre-se sempre que há inúmeros fatores por trás da escolha final do cliente.

Gostou? Compartilhe!

Comentários fechados