Quando projetamos podemos seguir dois caminhos bem distintos: o primeiro, nos guiarmos intuitivamente através da composição para dispor os elementos, o segundo, muito menos utilizado, usar uma abordagem lógica e matemática para solucionar visualmente a composição.

Ambas as abordagens tem pontos positivos e negativos.  Através do modo intuitivo o designer vai organizando os elementos e verificando se as relações entre as formas e espaço negativo são coerentes com o conceito do trabalho, muitas vezes essa abordagem é mais rápida, mas exige uma percepção bem avançada, uma vez que o olho é a única “ferramenta de avaliação”.

No sistema proporcional, por sua vez, os elementos compositivos são forçados a se adequarem as proporções do grid. Isso permite uma abordagem mais teórica sobre a composição, mas corre-se o risco dos elementos não se ajustarem perfeitamente a grade, o que pode fazer com que a composição crie padrões desconectados entre si, ou seja, dentro da composição o conceito não fica bem definido.

No entanto, quando bem aplicado, o sistema proporcional garante ótimos resultados. Aprender a aplicar proporções de forma harmônica exige muito estudos de grids e teoria da composição, além de prática é claro. Em um layout bem construído a malha de construção não se sobressai aos elementos visuais, ela garante movimento e dinamismo à composição, sem fazer com que ela caia em inércia.

Regra dos terços

A regra dos terços é um dos sistemas proporcionais mais conhecidos e mais utilizados, não apenas no design, mas também em outras áreas, como as artes visuais e a fotografia. Esse é o sistema mais fácil de ser aplicado, e garante bons resultados quando usado corretamente.

A regra dos terços se baseia na divisão da área da composição em 3 divisões horizontais e 3 verticais. Os pontos onde as linhas se sobrepõem são os locais com maior impacto visual, sendo assim, são as melhores zonas para localizar elementos importantes da composição.

Quando se faz uso da regra dos terços, é importante que se leve em consideração que alguns pontos devem ser ocupados com espaço negativo, para criar áreas de respiro dentro da composição.

Lógica matemática

Outra estratégia de composição é usar sistemas matemáticos para solucionar a composição, uma técnica pouco utilizada, uma vez que exige bastante trabalho para garantir bons resultados.

Uma das técnicas mais conhecidas e mais antigas é a seqüência Fibonacci, desenvolvida pelo matemático Leonardo Fibonacci no século XIII. Na sequência Fibonacci a soma dos dois termos anteriores resulta no próximo valor (1,1,2,3,5,8,13,21,…). Embora seja a mais conhecida, e uma das mais utilizadas, a seqüência Fibonacci não é a única possibilidade de sistema proporcional com lógica matemática. Qualquer tipo de progressão matemática pode ser um ponto de partida: números ímpares (1:3:5:7…), sistemas de metades (1:2:4:8…).

Proporção áurea

A Proporção Áurea vem sendo usada desde a Grécia Antiga, onde foi descoberta por Fídias e Ictinos. A Proporção Áurea consiste em uma relação entre retângulo e quadrado; para construir um retângulo áureo se desenha um alinha diagonal a partir do canto superior esquerdo de um quadrado até o ponto médio da base, e então se puxa a linha para cima, determinando assim a largura de um retângulo, construído a partir de um quadrado.

O Design Blog já conta com alguns textos sobre a proporção Áurea, logo não há motivos para se estender nela:

O que é proporção divina

Geometria do design: fundamentos de harmonia gráfica visual

Fórmulas matemáticas para um Design perfeito

Retângulos dinâmicos

Retângulos dinâmicos são retângulos construídos através de proporções geométricas obtidas a partir do quadrado. Miltom Ribeiro, autor do livro Planejamento Visual Gráfico define retângulos dinâmicos da seguinte forma:

O retângulo dinâmico é aquele em que n é um número euclediano incomensurável. Sua obtenção é conseguida pelo deslocamento da diagonal do quadrado sobre um dos lados, resultando no retângulo raiz de 2. Para se obter um retângulo raiz de 3, procede-se de maneira idêntica, tomando-se como base o retângulo raiz de 2, e assim por diante.

A imagem abaixo exemplifica de forma bem prática como se procede para obter os retângulos dinâmicos:

Esquema de construção do retângulo raiz de 2

Cabe ao profissional saber quando é possível desenvolver o projeto através destes sistemas de proporção, uma vez que eles possuem tanto aspectos positivos quanto negativos.

 

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