A principal notícia desta semana foi o “#porraglobonews”. A tag, que virou assunto mais comentado no Twitter, fez designers se revoltarem e mostrarem seu ódio contra a Globo e o site WeDoLogos.com.br. Afinal de contas, qual foi o problema? Quem realmente é culpado? Entenda mais sobre isto neste artigo.

#porraglobonews

Tudo começou com uma matéria no jornal Globo News na segunda-feira, dia 7 de fevereiro sobre o startup brasileiro WeDoLogos (que não vai receber link) e, por causa do conteúdo, linguagem utilizada e posicionamento da Globo, causou revolta na comunidade de designers brasileiros.

O WeDoLogos segue uma fórmula já existente no mercado; o site propõe um “leilão” de idéias. Uma empresa coloca um briefing para criação de identidade visual no site e “designers” são convidados a produzirem logos por um preço já acertado (a partir de R$ 195). A empresa então seleciona o logo que melhor se adequar ao gosto pessoal do dono, o “designer” é pago e pronto! Tudo resolvido.

Na reportagem da Globo News, a “jornalista” refere-se a logo como “logomarca” (já causando a primeira onda de náusea em qualquer um que seja designer de verdade). Em seguida, explicam como o site oferece “logomarcas a preços camaradas”. Enfim, explicam como um “cara bom de desenho, sem formação de design e que nunca fez curso de computador” já ganhou R$ 2.588 enviando 1.057 “artes”. Ou seja, ele ganhou R$ 2,40 por arte feita.

Um empresário contou sua experiência ao abrir um concurso para escolher seu logo no WeDoLogos. “Um dos quesitos que a gente sempre batia era: tem que ser nossa. Não vai ser parecido como empresa A, nem B, nem C” contou José Pedro Thompson, gestor ambiental da WGA Brasil. O resultado? Esse:

Logo super criativo...not

Sim, eu sei. Bem cara de um logo “nunca antes visto”.

No seu blog, o pessoal do WeDoLogos tenta se defender:

O que acreditamos ser um fato na profissão do designer é que cada vez mais se dá menos VALOR ao trabalho realizado.

Coisa que o WeDoLogos não colabora em melhorar. Pelo contrário, eles pisam ainda mais nos designers que gastaram anos e dinheiro nos estudos e encontram como concorrência micreiros sem idéia alguma do que estão fazendo.

E eles continuam escrevendo bobagens:

O e-mail não faliu com os correios… os correios se adaptaram e hoje atendem as empresas online com maior agilidade e ainda dando suporte automático em cálculos de frete. O e-commerce não faliu com as lojas e os shoppings… estes últimos se adaptaram e criaram atrativos físicos para continuar recebendo seus clientes.

Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Vivemos num país onde se tenta abater o preço e conseguir um “descontinho” de qualquer maneira. Um povo que não é educado na importância das aparências, mesmo sofrendo com isso todo santo dia (basta 20 segundos de TV para notar que aparência importa sim). Não há como competir com micreiros que aceitam fazer 1.057 artes por menos de R$ 3 cada. Claro que o micreiro não vê o tempo gasto como “gasto”, e sim o dinheiro entrando como “lucro”.

Mas então, o que eu faço pra concorrer com essa gentalha?

Simples: não concorra. Há clientes que querem pagar R$ 195 por isto:

logos escrotos

Que paguem! O pessoal da abcDesign postou algo interessante:

Isso sem contar a responsabilidade de quem está projetando uma marca, de ter certeza que não existe nada parecido no INPI e levar em conta os demais tramites legais em relação a isso. Depois o cliente corre o risco de perder a marca e vai reclamar para quem? Tem responsabilidades que nem sempre são levadas em conta…

Empresas que decidem “investir” em “designers” que se chamam de “desing” estão fadadas a ter problemas com sua identidade visual mais cedo ou mais tarde.

Não se enganem: mesmo não participando de sites como o WeDoLogos, nossa profissão ainda está tendo sua cara manchada. E pra resolver isto, tenho duas sugestões:

1) Ignore esta parte do mercado. Se um cliente entra em contato contigo e diz “nossa, que valor absurdo que você está cobrando para fazer minha identidade visual, papelaria e aplicações em carros, caminhões e roupas! Conheço gente que faz isso por menos de R$ 200” você pode tentar convencê-lo da importância de um design profissional ou simplesmente ignorá-lo.

2) Já que a Globo acredita que qualquer um pode fazer “design”, bora enviar nossos currículos pra lá. Afinal de contas, qualquer um pode ser jornalista também.

Confira outras opiniões:

Outros blogs de design também postaram sobre isto. Sugiro a lida:

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