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Os designers multi-funcionais estão matando o mercado

Por | 01 de novembro de 2010 | Tags: , , | 40 Comentários

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É algo polêmico a se falar, pois hoje em dia muitas empresas preferem contratar um designer que seja programador e pagar um só salário do que ter que contratar um designer e um programador, totalizando dois salários. Mas se os designers multi-funcionais (e as empresas!) não se espertarem, logo logo o mercado morre.

Mercado

A maioria dos e-mails que recebo são pedidos de ajuda em trabalhos escolares, pedidos de avaliação de artes digitais e pessoas corrigindo meu português falho. Ocasionalmente recebo um e-mail interessante que me faz parar e pensar.

Um leitor do Design Blog, Joel Gouveia, foi o autor de um destes e-mails. Resumidamente, ele escreveu:

Fazendo analogia com aplicativos e tb uma analise de mercado – os programadores estão dominando. Será q amanhã, que já é hoje, terei q aprender tb java e objective c para me manter respirando no mercado? Será q não devo me tornar um programador q tem (por coincidência) habilitação visual para poder sobreviver?

É um assunto complicado e impossível de chegar a uma conclusão concreta. O mundo está constantemente mudando e o design não ficará fora disto.

Empresas possuem impressoras multi-funcionais que fazem cópia, escaneiam, enviam direto por e-mail e muitas vezes também imprimem. Estas empresas dão smartphones aos seus funcionários para que eles possam verificar o e-mail no final de semana, acessar a intranet da empresa, enviar SMS informando aos seus colegas sobre a reunião de emergência…ah, e que fazem ligações também.

Os donos de empresas acabam pensando “Se meu celular pode ser multi-funcional, por que meu funcionário não pode ser também?“. Aí que entra o designer que é programador, arte finalista, técnico de informática, illustrador e fazedor de café. Esse é o futuro do design gráfico?

multifuncional

Você é isto?

Eu sempre defendi o diferencial, e sei que é algo muito importante para o mercado. O designer que é expert em usabilidade naturalmente será melhor na área de usabilidade que o designer que é expert em impressos. Eu sou um designer que sabe programar em PHP e sou expert em WordPress – esse é o meu diferencial. Mas será que o mercado está mudando a ponto que preciso ser também o cara em usabilidade, acessibilidade, interface de usuário, impressos, programação Phyton, ASP.net, e que sabe criar aplicativos para iPhone, Android e Blackberry?

As empresas dizem “sim”. Eu digo…bom, já chego lá.

É inegável dizer que quanto mais você souber, maior será sua área de atuação e maior as chances de ser contratado por diferentes ramos. É a lógica. Mas isto não quer dizer que você será um expert em todas estas áreas. Basta ver 5 minutos de um programa da Discovery Channel. Você não vai ver uma entrevista com um expert na área de astronomia, astrofísica, física quântica e física teórica. A pessoa vai ser expert em uma só área.

Acontece que quando você é expert em uma área, você já toma um tempo X do seu dia para ficar informado sobre aquele assunto. Se você também é um profissional renomeado de outra área, você vai tomar um tempo Y para estudar sobre aquilo. Eventualmente você será nada mais que um expert em conhecimento e não terá tempo para trabalhar de verdade.

O Joel continua:

Vim do gráfico e hoje também estou na web com meu xhtml/css da vida. E já vi diversos amigos perderem vagas por que não sabem nada de web. E há coisas absurdas. Já vi vaga em que o empregador queria um gráfico/web/programador (php, banco de dados, etc) tudo por 1 salário mínimo. E o tempo que o cara levou para aprender nem é considerado.

Ou seja, as empresas preferem um funcionário multi-funcional. Ok. Mas você conhece uma impressora multi-funcional que faz tudo perfeitamente bem? Imprime, copia, manda fax e é wireless sem problema algum? Sempre existe algo em uma destas máquinas onde ela peca na qualidade ou na facilidade. E quando é algo que faz tudo isto e ainda gasta pouca tinta, ela é absurdamente cara. Por que na nossa profissão não seria diferente?

A resposta é simples: os profissionais medíocres que se vendem como experts. Eu já conheci programadores ótimos que são péssimos designers, assim como designers que desenham um site lindo mas cujo o CSS seja mediano. Eu sei que meu PHP ainda é aceitável, mas longe de ser algo que alguém que passou a vida inteira apenas estudando isto saberia.

No entanto, dizer que toda empresa prefere funcionários multi-funcionais é um erro. Basta olhar as gigantes do mercado. O Jonathan Ive da Apple é um excelente designer industrial, mas não é lá um designer gráfico ou web designer muito bom. O Everaldo Coelho é um designer visual do c#$%@, mas não conseguiria programar um aplicativo para iPhone. E por que eles são incríveis nas áreas deles? Por que eles passam tempo estudando aquilo que eles fazem bem.

O Joel termina com duas perguntas:

Teremos sempre que correr atrás e acabar virando um faz tudo? Será que é mais interessante virar um ________ (preencha com o que lhe vier à mente) com habilitação visual?

Minha resposta: não e não. Se virarmos um faz-tudo, a qualidade do nosso trabalho vai invariavelmente cair. Você não pode ser um expert em várias áreas sem 1) enlouquecer ou 2) virar um expert em conhecimento. O mercado que não reconhece isto vai continuar contratando profissionais medíocres ou medianos que podem até fazer mil coisas, mas não fazem mil coisas bem feitas. A qualidade do trabalho vai decair e o mercado do design vai por água abaixo.

Mercado

O mercado tá ali...

Minha dica final é: se você é um designer e faz programação, cobre de acordo. São duas profissões, então valem pelo menos (pelo menos!) dois salários mínimos. Se uma empresa se recusa a contratar você por este valor, esqueça ela. Eu não trabalharia em um navio que não tem coletes salva-vidas e que vai navegar por mares bravos com uma tripulação despreparada. Deixe aquela empresa afundar sozinha.

Qual a sua opinião? Você acha certo as empresas quererem funcionários que fazem tudo e pagam pouco? Você acha que o designer que não for expert em várias áreas vai ter sucesso na vida?


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Canha

Criador e editor-chefe do Design Blog, atualmente é web designer freelancer. Nerd desde pequeno, ama tudo relacionado a internet, é apaixonado por design e está na área a 11 anos.

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  • Tereza Jardim

    Muito pertinente. Está realmente difícil ser um profissional focado em uma área, num mercado que adora os multifuncionais… Mas talvez o caminho seja esse mesmo. Se quer um funcionário que exerça várias funções, pague os vários salários que ele merece! ou ao menos faça um acordo interessante, né?…

    • Jerézi Luan

      Muito bom o artigo !!

      O complicado e achar empresas que aceitam isso, muitos profissionais as vezes se sujeitam para poder adquirir uma experiência. Quando você e muti-funcional a vida toda ate concordaria, mas multi-funcional para poder conhecer áreas diferentes para quem sabe la na frente pode escolher melhor, "A realmente e isso que eu quero" e muito bom você saber um pouco de tudo nunca se sabe quando vai precisar usar aquele conhecimento.

      Abraço!!

  • http://www.gdecom.com.br Eduardo

    Ótimo artigo! concordo com todas colocações, costumo dizer.. "Quem faz um pouco de tudo, faz muito de nada"

  • Gabriel

    sinto revolta, e raiva
    nesse topico.

    discordo um pouco
    qual o problema em ser completo
    e ter ambição de ganhar mais…

  • Leandro

    Não li ainda por que tô correndo aqui, mas vou ler mais tarde e, quem sabe até lá, vocês já me tiraram uma dúvida:

    Designer e Blogueiro. Deve manjar o suficiente de impressos, identidades visuais e por ser blogueiro deve ter pego um pouquinho de HTML + CSS, e quem sabe até mesmo um PHPzinho, pra configurar legal uns widgets, não?

    Daí me digam se não parece estranho um Designer Multifuncional escrevendo isso. Enfim…

    Valeu!

    • http://design.blog.br canha

      É, você precisa ler o texto mesmo. No texto, falo sobre ser expert em várias áreas. Acho importante saber um pouco – e admito que sei bastantinho. Leia o texto quando puder ;)

  • http://www.carloslima.me Carlos Lima

    Baita artigo.

    A algum tempo atrás, melhorei meu português, mas ainda não sou o melhor XD~

    E quando procurava um emprego, via muitas vagas, pedindo de tudo para pagar míseros R$ 200,00. E o pior? Sempre tem um que se acha bom o sificiente pra preencher a vaga. Aí sempre me aparece a pergunta. Será mesmo que esse cara dá valor ao próprio trabalho?
    Ainda aguardo o dia em que as empresas realmente darão valor a seus funcionários. Pagando o que merecemos, e nos tratando como taís.E não apenas "mais um funcionário".

  • http://www.byozzydesign.blogspot.com ByOzzy

    Parabéns novamente Canha, pelos artigos de muito bom gosto e qualidade informativa. Realmente essa doença esta se expandindo com uma velocidade incontrolável e conheço até alguns amigos que se deixaram levar pela necessidade e se renderam, ou seja, trabalham por 3 e ganham por 1. Recentemente vi um exemplo que acho que se encaixa bem nesse artigo: Nas minhas ultimas férias fui para Natal, capital do meu estado, e optei um dia em ir ao centro de buzão, e juro que fiquei estupefato com o que vi, o motorista era também o cobrador, diz ai?!? E quando entrei o cara ja disparou no buzão, enquanto alternava a visão entre dirigir e procurar as moedas para o meu troco. E a segurança dos passageiros que vá para a lua.
    Só quem pode mudar ou reformular esses novos padrões, pelo menos na nossa área, somos nós!

    Abraço a todos os guerreiros.

  • http://twitter.com/tocadopaca @tocadopaca

    Vou tocar num ponto diferente, que nunca é citado nessas discussões: A estrutura das Agências.
    As agências sempre foram desse jeito, mais de 50 anos e elas continuam as mesma. Só que com a evolução da internet, essas grandes agências devem morrer com o passar do tempo.
    Nos Eua tem surgido agências onde só tem 2 funcionários( caras que manjam somente uma coisa), quando precisam de um trabalho recorre outra agência do mesmo molde. Ai vc pergunta qual a novidade? A questão é que essas duas agências tem menos funcionários(intermédiarios) para serem pagos. Na grande agência tem o chefe(que só manda), o atendimento, criação, porteiro, segurança, secretária…. enfim muita mão-de-obra para uma coisa que um designer e um programador são os responsáveis por fazer tudo. Por isso um designer faz tudo. Com a estrutura que é hoje o designer sempre vai ganhar mal e trabalhar de mais, pq ele é o responsável por pagar o salários de toda a empresa.
    Um exemplo para ilustrar o que estou falando dessa mudança: As agências tentam conquistar pelo preço, mas com a grande concorrência é impossível ter preço baixo com a grande quantidade de mão-de-obra que possui. Por isso acredito que as agências tem que repensar as suas estruturas, para valorizar realmente quem é importante. Mas isso é quase uma utopia, o que importa é dinheiro no bolso do chefe. Esse tema tem que ser feito um doutorado para ser discutido. hehehhe

  • http://twitter.com/marcosvfg @marcosvfg

    Acho que antigamente seria impossível ser especialista em varias areas(principalmente tão distintas quanto Programação e Desginer). E se você não fosse especialista seria praticamente impossível também trabalhar nessa area. Acontece que, com o avanço da tecnologia da informação, principalmente o Google, tudo ficou mais rápido e fácil. Podemos receber todas as noticias da area que quisermos direto em nossa caixa postal. A linha de código complicadíssima pode ser achada naquele forum tal e o tutorial que ensina a fazer aquele efeito "X" tá a um clique de distância.

    Conclusão: Aprendemos cada vez mais rápido e nos sobra mais tempo para fazer o aprender outras coisas, então o mercado fica cada vez mais saturado de profissionais faz tudo, e quanto mais oferta….

  • MarceloAugustus

    Prezado Canha!
    Primeiramente gostaria de parabenizá-lo pelo site!
    Acompanho-o faz pouco tempo, mas já está nos "meus favoritos".
    Bom, este post é de suma importância. Eu venho da fotografia, e neste ramo, os clientes pensam que fotógrafo deve também ser: photoshoper, designer, diretor de arte, figurinista, e por aí vai…
    É… o mercado é agressivo, mas os profissionais têm que se impôr e se fazer respeitar… sei que é duro, mas um "não" bem dito na hora certa, pode gerar vários "sim" no futuro.
    Abraço a todos!!!!!
    Marcelo Augustus http://www.photographo.com

  • simulacro414

    Para quebrar um código, temos que domina-lo…

    Designers, se é que me permitem desbanalizar o termo – e, remover toda concepção de PIRA VISUAL criada por essa geração Y que cresceu vendo animes – trabalham com códigos. Para resolver um dado problema vc deve saber muito sobre ele. Possuir intenção e Metodologia…
    Não é somente idolatrar um efeito HD ou uma certa marca que lhes proporcionam PIRAS tecnológicas… Quanta alienação!

    Se no "meio" em que você atua você tiver que entender sobre os tais código(códigos fontes, lógica, kralho a quatro), entenda-os! Não seja medíocre! Se você não sabe como "o motor"(preciso de uma palavra melhor) funciona, quem é você pra "encapa-lo"?

    • msales

      Li o post e estava lendo todos os comentários como sempre faço… até que vi o seu! BINGO!

      "Possuir intenção e metodologia"… taí duas coisas longe de acontecer na mediocridade atual. Tudo tem de ser pra ontem, inclusive o aprendizado…estudar sobre um produto, seus concorrentes diretos, analisar o mercado e possível público-alvo? Onde era mesmo que eu estava? :)

      O Gabriel comenta um pouco acima (revoltado, diga-se de passagem) que discordou um pouco do texto e pergunta qual o problema em ser completo e ter ambição de ganhar mais…

      Eu respondo com outra pergunta: Que tipo de "completo" ele quis dizer?

      Vejamos como exemplo a minha própria carreira… me formei em Desenho Industrial com ênfase em Programação Visual a cerca de 10 anos… começo de carreira, muita gana e pouca grana… trabalho praticamente por comida, como estagiário na FEA-USP em um setor que administrava os sites da FEA. Junto comigo havia mais um outro estagiário designer e mais uma penca de programadores ASP… Aguentei firme e forte a tentação em virar um deles… o salário era ruim, mas como estava dentro de uma universidade o culto ao ensino era disseminado inclusive entre os chefes… portanto, aproveitei o período para fazer vários (vários mesmo) cursos voltados a área gráfica (web) custeado pela "firma".

      Alguns anos se passaram e com isso também migrei de campo, todos diretamente ligados a web, porém sem envolver programação… aprendi usabilidade e trabalhei com HCI (sem preguiça gente… google taí pra isso), voltei pra usabilidade e me vi, alguns anos depois, criando experiências (UX, também tá no Google… ok?)…

      E hoje? Bem… hoje trabalho na TI de um dos maiores bancos no mundo… apesar de estar cercado de programadores ainda não sei programar uma linha sequer***, mas sei o suficiente para discutir idéias e entender funcionalidades… coisas importantíssimas na área em que atuo, que é web.

      ***Nota: Quando digo que não sei programar uma linha sequer, quero dizer linguagens de PROGRAMAÇÂO, tais como ASP, PHP, .NET e afins. Não estou falando de linguagens de MARCAÇÃO, tais como XHTML, CSS, XML e afins, que domino perfeitamente.

      Onde quero chegar? Ninguém precisa entender de tudo… mas precisa conhecer o suficiente da área onde atua/quer atuar para discutir sabiamente (sem ser enrolado) com pessoas que fazem coisas diretamente ligadas ao seu trabalho.

      Não saia atirando pra todos os lados… balas perdidas existem e invariavelmente você pode sim, dar de cara com uma das suas… ;)

      Abs!

  • http://miracriativa.com robsongodoy

    Ótimo artigo, acredito que o que mais falta no design é uma valorização por parte dos próprios designers, para que tenhamos a devida valorização!

  • http://www.brokenfans.wordpress.com/ Andrey Santos

    Estou saindo de um curso técnico de informática que dá habilitação em programação console e web esse ano e é incrível o descaso e preconceito com as linguagens realmente web. De acordo com a professora, javascript e css é porcaria e o html você nem precisa saber pra fazer um site.

    Aí então ela manda o pessoal fazer um sistema de "blog" (se aquilo fosse realmente um blog eu cortaria meu braço fora) e adivinhe, passou um programa que fazia layouts prontos, o Artisteer. Chegou um carinha do grupo e usou o programa pra fazer o site do nosso TCC. A professora falou tudo bem e eu tive que engolir.

    Imaginem agora esse pessoal todo trabalhando eventualmente como webdesigner, sem a mínima instrução nem do que é um css. A educação do programador é essa, não dá pra saber programar E fazer design muito bem sem no mínimo dois cursos, e mesmo assim a prática fica lesada…

  • Rony

    O que eu vou escrever tem haver com que o Andrey falou, concordo com o post, mas também concordo que (Não devemos saber a fundo uma outra ferramenta) mas temos que conhece-las.
    Eu como Designer, concordo que esta muito mais dificil para empregos em pequenas empresas por esse fato que tem que ser um multi, fora isso, muitos mults, que seu forte não é o design, vai no google e baixa aquele programinha que faz o design pra ele, ninguém liga como ele fez, e sim se está agradando, com isso, nos que ralamos, estudamos, demos nosso sangue para aprender, fica desvalorizado por um cara que aprendeu buscar no google um programa que faz letras em 3D.
    Mas o problema é esse, ninguém liga.
    Mas acho que pra um bom designer sempre ha uma ótima empresa.

  • Daniel Pinho

    Excelente o texto. O profissionais precisam deixar de agir como o Pato.
    O Pato tenta fazer de tudo e vejam no que deu:
    – Não nada direito; não voa direito e não anda direito.
    Não sejam o "pato" da vez.

  • realeverson

    Gostei do texto, muito crítico.
    Confesso que este texto abriu minha mente para eu escolher a área que devo atuar.
    Sou novato no ramo hehehe. Estudo Design Gráfico estou aprendendo sobre programas gráfico como Photoshop, Illustrator e Corel Draw. Recentemente comecei a estudar Fireworks Dreamwaver e Flash para tentar desenvolver um site e sair do blogspot.
    Tenho que escolher um caminho.
    Este texto tem que ser divulgado!
    Respondendo sua pegunta final, para não sair do contexto, eu acho que o Designer deve mesmo escolher sua área, pois se continuar desfocado, mais tarde ele pode ter um conhecimentozinho em vários ramos do que ser um expert em uma área.

  • Onofre Martins

    …Sem muitos comentários por falta de tempo, mas acredito que existe um fator que deve ser levado em contana discursão do caminho a seguir: <Trabalho de Freelance ou sou contratado?>

    dependendo do caso, você quer subir alguns "degraus" na empresa onde trabalha, e para isso você tem que conhecer um pouco de muito para poder ser chefe, orientar e entender quem está nos degraus abaixo.

  • Vandrei

    Belo texto Canha. O que você diz é uma verdade, mesmo eu trabalhando com edição de vídeo, sinto a mesma coisa. Hoje em dia editor de vídeo, precisa saber além do Premiere e After, Illustrator e Photoshop. Claro são softwares que ajudam na criação, mas não é o dever do editor de vídeo criar objetos para a edição de vídeo, mas é bom termos algum conhecimento neles. Infelizmente o mercado contrata na maioria das vezes os multi-funcionários.

    Recentemente tive o desgosto de ser um profissional "medíocre" trabalhando por menos do que eu deveria e fazendo outras funções (Me arrependi amargamente, e até perdi uma amizade por conta disso). O que deve ser feito é como o MarceloAugustus comentou: "as vezes um não agora, pode gerar vários "sim" futuros".

    Temos de valorizar nosso trabalho, enfim, estudamos para isso e aplicamos tempo de vida.

  • http://twitter.com/marcelogarciajr @marcelogarciajr

    Esse Canha é do @#&(@!
    Um poste melhor que o outro. Me identifico muito com esse Blog.

    Permita-me contar um pouco de minha história relacionada a esse post aqui.
    Na agência que trabalho hoje, fui contratado para ser design gráfico, com a saída do programador, tive que pular para a cadeirinha de programação e comercar a ralar.
    Para não sair da agência tive que aceitar essa condição e estudar muito, muito PHP.

    Hoje quando vou fazer algum trabalho de design gráfico, fico completamente travado, por não estar nessa área no dia-a-dia, fico FAIL. Acostumado as linhas de programação discorro bem na programação.

    Por fim, é obvio que não serei expert nas duas areas, se não focar em uma só e seguir uma carreria profissional.
    Serei sim um tremendo palpiteiro. <o>

  • Allan Reis

    Cara mandou bem D+, concordo com você em gênero, número e grau. inclusive esse post me fez rever algumas idéias.

    abraços

  • frozzzt

    Isso é FODA.

    Alguma pessoas deveriam receber por ser Motion, Graphic e Web Designer…. ¬¬

    Já que – uma especialidade só – muitas vezes não serve para uma empresa.

  • Ivandro

    Maravilha de post!!! Concordo plena-mente em tudo o que está escrito ai!!! Sou Designer Gráfico de formação e profissão, impressos é comigo mesmo! Onde trabalho a empresa estava precisando de dois sites, queriam que desse um jeito!!! Fui atas de alguém pra botar minhas idéias na web. E o problema resolvido!!! Não cai na pressão da empresa, ‘ou continuo com o designer gráfico ou mudo pra web design’ Por isso não adianta a gente se aventurar por ai, sendo que no final, não vamos ser recompensados além de perdemos o nosso tempo, deixar de se especializar cada vez mais em nossa área e partir para uma outra nova deixando coisas importantes pelo caminho…

  • Ktunda

    Eu entendo exatamente o problema. Sinceramente eu me considero um Diretor de arte/Designer multifuncional, pois tenho conhecimento: propaganda, criação, planejamento, marketing, estratégia, ilustração, editorial, criação de marca, chamadas criativas, flash e ilustração. Mas recentemente descubri que não era tão multifuncional quanto imaginava. Faltou saber programação e fazer o cafezinho. Dancei!!

  • http://www.jc-etc.blogspot.com mpio

    Artigo muito bom e que também a mim me faz pensar.
    Muitas vezes perco tempo a querer saber de tudo um pouco para não me sentir desactualizado e acabo por descurar a minha área
    .Na minha opinião essas empresas que querem bom e barato nunca vão ser referencia e acabam por não evoluir no mercado.
    Ainda hoje o investimento é o sucesso de uma empresa.
    Um designer multi funcional vai ser um designer maltratado.Abraços

  • Fernando Ruch

    Ótimo artigo, mas discordo em alguns pontos…
    Vejo que isto está acontecendo em todas as áreas, não só no Design.
    A alguns anos atrás um adolescente quando chegava em casa, ficava na frente da TV assistindo Malhação, hoje em dia, um adolescente quando chega em casa, conversa com várias pessoas no msn, ouve música, atualiza Orkut, Facebook, Twitter, baixa filmes e jogos enquanto assiste a Malhação.

    A Geração Y está aí, fazendo cada vez mais funções ao mesmo tempo e cada vez mais rápido, o mercado está antenado e está exigindo isso e o pessoal da Geração X, que estava acostumado a fazer 1 só função, está ficando para trás, essa nova geração vem com tudo, não há como mudar isso, quem quer seguir firme no mercado tem de se atualizar.

    Não acho que não devam se especializar em alguma área, acho que além de especializar, os profissionais de hoje devem também ter um pouco de conhecimento em outras áreas e ser mais completo, nunca perdendo o foco.

    Abraço

  • http://desenvolvedorweb.tk Igor

    Até escrevi um breve post no meu blog falando um pouco da minha visão sobre o assunto: http://desenvolvedorweb.tk/blog/funcionarios-mult

  • http://katie.ro/ KATIERO

    Isto realmente é sério e acho que o título do post não condiz com seu conteúdo e com a ideia que ele quis passar, deveria ser assim:

    A exigência das agências por designers multi-funcionais está matando o mercado

    Não adianta, esse mercado está infectado com este vírus, e isso dificilmente mudará.

    O que eu vejo é o seguinte:

    Como freelancer não conseguimos atingir grandes clientes, estes só contratam grandes agências. Pelo menos eu acabo tendo que trabalhar com pequenos e ganhar menos, obviamente.

    Como empregado temos que ser multi-funcionais (eu prefiro o termo FAZ-TUDO), e ainda ganhar pouco.

    Por que isso acontece?

    Geralmente os donos de agências (sei que não são todas, mas a maioria das que eu tive o desprazer de visitar) são pessoas com dinheiro, influentes, que resolveram abrir uma empresa pois enchergaram este ramo como um bom meio de ganhar dinheiro. Da parte técnica e artística eles não entendem NADA. São bons adminsitradores de empresas e bons vendedores, porém maus gestores.

    É claro, só pensam em lucrar mais, mas a que custo? Se tiver que quase matar seus funcionários de tanto trabalhar, não importa. O importante são as suas metas.

    E eu não conheço uma pessoa que trabalhe com design ou programação, que não reclame que são forçados a ficar até altas horas da noite trabalhando para finalizar os projetos, sem ganhar nada extra por isso. Os chefes "espertos" dão mais trabalho do que podem fazer no dia, ai chega as 6 da tarte vem com aquela conversinha mole: "Ainda não acabou isso, então terá que ficar até mais tarde para terminar."

    Eu sinceramente vejo nesse mercado uma escravidão.

    A saída é abrir a sua prórpia agência e tratar os funcionários como eles merecem, ai a coisa anda. Do contrário seremos meros operários, trabalhando para os outros enriquecer, trabalhando o sonho dos outros.

  • Mauren

    Excelente o texto… não estou exatamente na área de gráfico; atuo (ou tento atuar – no momento) com design de produto e interiores mas a situação é exatamente a mesma: gente que quer conhecimento de arquiteto, de engenheiro, de arqueólogo… enfim… são tantos conhecimentos que nem vale a pena listar! Tento me valer pela minha experiência e faro de mercado. E ainda assim, a gente tem que se impor!

  • Fabio

    Vale lembrar que infelizmente o mercado hj em dia possui muitos "multitarefas" que se submetem a salários irrisórios e não valorizam a propria profissão. Aceitam gorjetas pensando que esta sendo mais "competitivo" mas no final está dando um tiro no próprio pé. O Valor de mercado dos profissionais é baseado naquilo que a categoria exige pelo seu trabalho. O "patrão" apenas acompanha o mercado. Quando ele percebe que muitos "Multitarefas" se rebaixam por miseros salários, o mercado como um todo é nivelado por baixo. A continuar assim um "designer" estará sendo remunerado pelo valor de um Gari. (com todo o respeito pela profissão de Gari). Tb acho burrice um profissional se esforçar para ter diversas "funcionalidades" para no final aceitar salarios irrisorios. Saber muitas coisas e aceitar salarios baixos pra que ? Hobby ? passatempo ? Alegria em ver o dono da agência ganhar muita grana em cima do seu trabalho ? Ver um cobrador de onibus ser melhor remunerado que vc que estudou e ralou pra aprender ? Ta na hora do mercado de profissionais refletir e não acabar matando a propria profissão.
    Todo o esforço e tempo gasto nos estudos e aperfeiçoamento profissional so vale a pena se no final do mês o salário justificar tudo isso.

  • Fabio

    Vale lembrar que infelizmente o mercado hj em dia possui muitos "multitarefas" que se submetem a salários irrisórios e não valorizam a propria profissão. Aceitam gorjetas pensando que esta sendo mais "competitivo" mas no final está dando um tiro no próprio pé. O Valor de mercado dos profissionais é baseado naquilo que a categoria exige pelo seu trabalho. O "patrão" apenas acompanha o mercado. Quando ele percebe que muitos "Multitarefas" se rebaixam por miseros salários, o mercado como um todo é nivelado por baixo. A continuar assim um "designer" estará sendo remunerado pelo valor de um Gari. (com todo o respeito pela profissão de Gari). Tb acho burrice um profissional se esforçar para ter diversas "funcionalidades" para no final aceitar salarios irrisorios. Saber muitas coisas e aceitar salarios baixos pra que ? Hobby ? passatempo ? Alegria em ver o dono da agência ganhar muita grana em cima do seu trabalho ? Ver um cobrador de onibus ser melhor remunerado que vc que estudou e ralou pra aprender ? Ta na hora do mercado de profissionais refletir e não acabar matando a propria profissão.
    Todo o esforço e tempo gasto nos estudos e aperfeiçoamento profissional so vale a pena se no final do mês o salário justificar tudo isso.

  • Erick

    A diferença entre designer e programador, é basicamente a mesma de um Arquiteto pra um engenheiro. Um engenheiro pode assinar um projeto, ou muitas vezes dispensar um quando se trata de coisas banais como um casebre de sitio por exemplo. Obviamente vai ficar bem mais feio e desorganizado que se houvesse um arquiteto involvido. Mas arquitetura é um ramo valorizado e essencial na construção quando o design for tão valorizado assim na midia quem sabe as coisas mudem.

  • Robinson

    Bom dia Brother,
    Passando por um acaso aqui resolvi ler todos os comentários e percebi que ninguém se lembrou da existência dos maiores concorrentes de todos os tempos (os estagiários) que trabalham feito escravos em troca de experiência e de míseros centavos, pois algumas empresas se beneficiam com eles e não importa se eles ainda estão aprendendo, o que importa que estão fazendo de um jeito… ou de outro.
    E veja vc, muitas pessoas buscam no Google "como fazer um site" e aparecem várias maneiras de fazê-lo e de "Graça", e as pessoas nem se preocupam se vai ficar pesado ou não, o que importa é que vai ser de graça.
    Sou da antiga e acredito na honra e no caráter, (ainda bem que ainda existem pessoas com essas qualificações, caso contrário o mundo estaria perdido), mas infelizmente acho melhor que todos se acostumem com esse tal de "Multitarefismo", pois isso é uma realidade que veio pra ficar.
    E ainda bem que algumas empresas ainda preferem cada um na sua, se eu tivesse uma não contrataria um multiqualquercoisa, mas sim um expert para cada função.
    Um abraaaaaaaaaaço!

  • Sabrina

    Eu acredito que cada um tem que fazer o seu como uma equipe e não ser multifuncional…
    Isso cansa a mente do profissional.
    Pagar um salário somente para fazer várias funções, é escravizar.
    mas se você não "atende às exigências e não tenta se enquadrar no perfil do mercado" vc está fora.
    O designer tem que ser muito valorizado pelo que faz e não é o que acontece.
    Ao mesmo tempo que não concordo, ficamos "sem saída" se for parar para pensar.

  • http://www.danilosaltarelli.com Danilo

    Eu faço arte final, ilustração e café, ¬¬ devo me doer?!?!
    aehuaheuaheuaheuahueaheuahea

  • Edy oliveira

    Realmente isso é um absurdo, eu estou a procura de um novo trabalho, e o que eu vejo hoje é ser multi- funcional, querem que vc seja designer, web designer, projetista, organizador de eventos e feiras, e programador, salario R$ 1.000,00. O que acontece hoje creio que é a quantidade de mão de obra nessas áreas que muitas vezes não é boa, é meia boca, e ai como as empresas vêem uma quantidade enorme de currículo quando colocam uma vaga disponível dá a eles a oportunidade de pagar o que querem pois tem mão de obra a vontade, e o pior exigir muito e pagar pouco, se a mão de obra fosse mais escassa, o salario seria maior e a exigência não seria tanta.
    O fato é, as empresas querem alguém que faça tudo, e querem pagar muito pouco por isso, pois não entende o tempo que se leva para aprender o que sabemos, e como fazemos cada trabalho, isso para eles não interessa, e cá entre nos, nunca vão se interessar.

  • http://mauriciofaccin.com/blog mauricio

    Concordo com o texto! Atualmente as empresas estão tentando maximizar os lucros a um patamar inaceitável. Tenho 11 anos de mercado e até hoje não passei em nenhuma empresa pela qual eu tive o meu "plano de carreira". É só para inglês ver. Acredito que o profissional que queira abraçar tudo no final não é forte em nada. Qual o seu diferencial? Nenhum. Ou seja, sabe um pouco de tudo mas não tem foco em nada. Na hora de ganhar uma concorrência de trabalho, esses são os que sempre penam pra conseguir a vaga. Já entrevistei candidatos a estagiários e o problema está na base, infelizmente. A escola, faculdade ou universidade com seus professores mal informados ou mal intencionados fazem com que esses profissionais saiam para o mercado muito despreparados. Com a idéia de que você tem que saber mil coisas para ser um profissional aceito e de sucesso. É completamente o contrário. Sei montar um site em html mas sinceramente não foco minha carreira nisso. Seria besteira! Hoje vejo que fiz muito bem em focar em criação pois o mercado está carente de pessoas assim. Pelos profissionais com quem trabalhei ultimamente, vejo que está cada vez mais dificil achar um designer que "arrebente" num layout.

    Abs,
    Mauricio Faccin

  • http://www.facebook.com/estudiomarcelofurlan Marcelo Furlan

    Infelizmente não tem jeito, as empresas querem reduzir custos, todo mundo coloca os custos na frente de tudo, isso é fato, mas vai do profissional aceitar ou não, em épocas passadas me virei em varias outras áreas, fui programador php, java, javascript, webdesigner, fotografo e designe gráfico, e ainda éra diretor de arte, o bom que aprendi bastante coisa, mas hoje não faço mais, sou fotografo e designe, me identifiquei mais com essas áreas e foco nelas, mas sou uma grande minoria. eu acredito que num futuro a área grafica vai se tornar como é a area médica, cada profissional vai se especializar em uma area. vamos torcer pra chegar logo essa data..

    Marcelo Furlan

  • Antonio Fernandes

    Esta prostituição do mercado está acontecendo em todas as áreas e tende a piorar, é o efeito “China”. Um engenheiro hoje jamais tem o mesmo status ou ganha o que ganhava um congênere seu há 20, 30 anos, é obrigado a concorrer com técnicos e tecnólogos com 3 anos de facul, que ganham 1/3 ou menos do salário de um engenheiro, e se não quiser ficar desempregado se sujeitará à baixos salários nas indústrias, que podem parecer ruins e sem ética, mas se não reduzirem drasticamente seus custos terão de fechar as portas, aliás, já está acontecendo com a desindustrialização do país. A nossa sorte é que ainda não estão comprando design “Made in China” à R$ 1,99. Ainda.