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O perigo do briefing mal feito

Por | 22 de junho de 2010 | Tags: , , | 8 Comentários


Muitas vezes o designer apenas encaminha um briefing para o cliente e depois passa a interpretar o que ele recebeu. Este método pode funcionar, mas depende do cliente. Afinal de contas, pode falhar miseravelmente também.


O prigo do brifng mal fieto

Recentemente, fechamos um job de site + logo. O briefing foi enviado ao cliente para que pudéssemos começar primeiro com o logo e mais tarde faríamos o briefing do site. Quando entregamos o logo, o cliente reprovou – falou que não era nada do que queria. O que houve? Quem errou?

Quando uma aprovação sai e volta reprovada, é necessário descobrir primeiro por que ela não foi aceita. Afinal de contas, você precisa saber quem vai ser demitido ;) Brincadeiras à parte, você precisa ver com o seu cliente por que não foi aprovado. Algumas vezes pode ser por que o job foi visto por um “comitê” (vulgo “esposa, filha, sobrinho que trabalha com internet, cachorro”) e foi reprovado em unanimidade – neste caso, o comitê provavelmente não estava a par do briefing que foi preenchido por um deles, e você tem todo direito de recomeçar e cobrar novamente. No entanto, na maioria dos casos, o problema é o briefing mal feito.

Não pense que estou colocando a culpa no cliente nesta! Muito pelo contrário: a culpa do briefing mal feito é do designer!

Quando reli aquele briefing que foi responsável pela reprovação do logo, notei logo o problema: o cliente estava misturando elementos que ele queria no site com elementos que ele queria no logo. Quando o briefing foi lido pela primeira vez, notamos isto, mas demos maior atenção ao restante onde o cliente estaria falando especificamente sobre o logo.

Ao dar exemplos da idéia que ele procurava, o cliente pegou os logos dos concorrentes e falou que queria algo similar. No entanto, todos os logos possuíam uma tipografia diferente da outra: um usava uma fonte fina, outra era mais trabalhada, cheia de curvas, tinha também uma com fonte pesada, fonte suja, serifada, sem serifa, etc. Uma salada de fontes diferentes. Seria impossível basear-se nestes exemplos com cada um sendo diferente, por isso que na primeira leitura o mesmo passou despercebido.

Salada de logos

Oi, quero um logo com um pouco de tudo.

Mas o cliente não errou. Ele listou logos que ele gostava. Deveríamos ter questionado o que ele gostou em cada um, especificamente. E dentre eles, qual ele gostou mais e por que. Se notássemos que a visão do cliente divergisse da visão que o público alvo dele teria, teríamos avisado.

Na análise inicial do briefing, vimos que o cliente queria algo “moderno, sofisticado e feminino”. Fizemos assim e foi reprovado. Relemos o briefing e notamos os vários problemas. Problemas que o cliente não tinha a obrigação de saber, pois quem entende do assunto somos nós. Problemas que nós, como entendedores do assunto, deveríamos ter questionado antes de começar o projeto para que não tivesse que ser refeito.

Fica a dica:

Antes de começar um projeto, veja se o cliente entendeu o briefing. Depois que você recebeu de volta, veja se você entendeu o briefing. Pra se assegurar, pergunte ao cliente se ele entendeu como você entendeu o briefing e se os entendimentos são mútuos. Complexo, mas diminui as chances do job voltar reprovado ;)


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Canha

Criador e editor-chefe do Design Blog, trabalha como designer e programador no xCake. Nerd desde pequeno, ama tudo relacionado a internet. Seu maior sonho é entrar em algum quarto e dizer "Senhores, não se preocupem: sou da Internet".

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  • http://intensedebate.com/profiles/interpretanteimediato Tereza Jardim

    Quando eu era bobinha e queria ver meu trabalho em um postal publicitário famoso, caí nessa de não fazer um briefing bem detalhado com a cliente. Resultado: trabalhei noites e noites de graça, fazia e refazia as artes e elas nunca eram aprovadas. Claro, a cliente dizia que não era o que ela queria ainda, mas não dizia o que tinha em mente…

    Nada como a experiência pra ensinar certas coisas pra gente né!

  • http://www.designontherocks.com.br Domenico Justo

    Parabéns pelo post Canha, até acrescentaria que muitas vezes nem é o designer quem faz o briefing, no caso de agências é o atendimento, aí o erro é maior ainda, pois o atendimento muitas vezes não tem o conhecimento necessário para certos trabalhos, o que não é culpa dele também, por isso acho que tem que haver sempre uma integração entre as partes e todos tem muito a ganhar com isso, principalmente em tempo.

  • Domenico Justo

    huahuahuahua, só um comentáriozinho a mais, ri muito com as suas regras de comentário, sei exatamente do que você está falando… huahuahuhua

  • http://www.joaobem.biz/blog joao bem

    Post super interessante.
    Penso que um briefing perfeito não existe. Cada trabalho é um trabalho e existe sempre algo de novo que nos pode trazer surpresas na execução e principalmente na hora da aprovação.
    A solução terá sempre por tentar perceber ao máximo o que o cliente pretende e passar essas informações preciosas para o briefing.
    Não sendo infalível é a única solução que evita o retorno de trabalhos que não são aprovados.

    Concordo com o Domenico, briefing deve sempre ser feito pelo designer, pois ele é que sabe do assunto.

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  • Fábio Russo

    D+ esse post.. parabens

  • http://www.danielterra.com.br Daniel Terra

    O Briefing é a parte mais importante do processo!

    Me diz.. como é possível criar algo para um cliente, sem saber o que precisa?

    Para não ter o job voltando sempre, é necessário pensar como o cliente, entender a necessidade dele, assim todo mundo fica feliz.

    Otimo post!

  • Pingback: 7 itens básicos de um bom briefing - Design Blog