Mais um logotipo entre os demais. Essa é a sensação que o novo logotipo da Eletrobras transmite.

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Logo Eletrobras

Pode ser que seja cedo pra falar, mas se nos basearmos nos dois exemplos a seguir, podemos ter uma ideia.

O primeiro é o das Sardinhas Coqueiro, cujo logotipo (e embalagem) foi desenvolvido por Alexandre Wollner, em 1958, e durou quase 50 anos! Depois desse tempo todo, decidiram “renovar”:

Logo Coqueiro

Percebe-se que a mudança não foi estruturada: não foi baseada em identidade visual, realizando pesquisas de reconhecimento de valor e pregnância, por exemplo, mas sim em merchandising. Não que esta ferramenta não seja importante, porém temos que saber quando usá-la.

O outro exemplo é o da Light, que teve seu primeiro logotipo criado por Aloísio Magalhães, em 1966, e durou 30 anos. Quando foi comprada por outro grupo, a empresa percebeu a necessidade de marcar esta mudança. Ao contrário das Sardinhas Coqueiro, a Light se preocupou em verificar o valor do seu logotipo e realizou, dentre outras atividades, uma pesquisa que apontou que 94% das pessoas reconheciam seu símbolo.

Com esse resultado, o escritório EG Design, que ficou responsável pelo projeto, percebeu que não era o caso de se fazer um novo logotipo, mas sim o redesign do anterior:

Logo da Light

Logotipo de Aloísio Magalhães

Light

Re-design do logo

Papelaria da Light

Voltando à Eletrobrás

Podemos notar as semelhanças entre os casos acima e arriscar dizer que os responsáveis não seguiram a metodologia mais eficaz. Até para quem não é familiarizado com a empresa, é possível identificar, no símbolo antigo, algo como um raio, uma corrente elétrica, ou até mesmo um “E”e um “B”, que fazem referência a área de atuação da empresa e a seu nome, conseguindo isto fazendo uso apenas de uma cor e de princípios da Gestalt.

Já no novo símbolo, temos três cores, que identificam a nacionalidade da empresa. Mas e a forma? E o efeito degradê?

Um pequeno teste: qual destes símbolos refere-se a uma empresa de energia?

Logos

Pra facilitar: qual destes símbolos refere-se a uma empresa brasileira de energia?

Talvez, por eliminação e não por reconhecimento, conseguimos chegar ao símbolo atual, graças as cores – azul, verde, amarelo.

Mas e se utilizarmos tons de cinza?

Logos P e B

Nesse caso, a forma fala mais alto. O atual some; já o antigo consegue estabelecer relação com a atividade da empresa.

Devemos, portanto, ao trabalhar com identidades visuais, levantar algumas perguntas, tais como:
- o que é a minha empresa?
- o que desejo transmitir?
- qual é o atual grau de reconhecimento da minha marca e logotipo?
- quais características desejo ou não manter?

É um trabalho que requer tempo, bastante estudo e conhecimento no assunto. Com isso, o resultado será coerente.

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  • http://www.criaideias.com.br Gustavo Guichard

    Muito bom o artigo! Aqueles pequenos testes no final falam por sí só!
    Que boa percepção e embasamento que tu tens!

  • Érika Rocha

    Ótima observação. A logo da Light já mata a charada. Nem sempre é preciso de uma logo nova, apenas ser modernizada.

  • Alex Rodrigues

    E o problema que esse logo horrível vai para a camisa do meu time!

  • LUEDY

    soh aquela identidade jah causa reconhecimento…vc num precisa falar sobre oq a empresa faz, nem o nome que a antiga identidade da eletrobras é reconhecida! Eu até entendi a ideia da nova identidade, eles querem causar uma associação da empresa com o país, mas não é o caso! se ainda fosse uma empresa desconhecida….

    =/

    mais uma vez parabens!!!

  • http://twitter.com/rodrigot rodrigot

    Logos become iconic over time, through their use and in combination with an overall perception of a brand. They shouldn’t be judged purely as form and out of context, as they are on design blogs, because it takes a period of time for a logo to establish itself in the marketplace, just as it takes a magazine a year or so to establish its personality.

  • Ivson

    Não é por nada não, mas o antigo logo da Eletrobras nada tinha de raio. Era um circuito elétrico (e olha que nem sou engenheiro eletricista). O que apenas mostra que num logo cada um lê o que tem em seu repertório de símbolos. Logo em si, nada diz se não tiver o nome da empresa junto.

    • http://www.coletivonegobom.com Caroé (NEGOBOM)

      Ivson, mil desculpas, mas…

      Não existe isso de "logo cada um lê o que tem em seu repertório". Pelo contrário: o caminho adequado a seguir é: "Logos devem ser desenvolvidos respeitando o repertório médio do seu público".

      Identidades visuais são feitas para o público compreender e associar, então não é esperado que alguem reconheça um componente do que a empresa gera. A não ser que seu foco esteja apenas nos técnicos e próximos disso.

      É o caso do logo antigo da eletrobras. Você está mais próximo de conhecer os componentes da empresa do que eu. Então viu um circuito elétrico. Pra mim, que tenho experiência apenas com placas de computador, circuito é bem diferente disso daí. Mas eu reconheço a eletricidade envolvida, mesmo que eu associe a um raio. Isso o torna um bom logotipo.

      Por fim, "logotipo não diz nada sem o nome da empresa junto"? Desculpa novamente, mas aí entram aspectos mais profundos de branding, que não envolve apenas o design. Quando uma empresa se insere na sociedade o suficiente para definir sua iconização, ter o nome junto não faz diferença. Vide Pepsi, Kodak, Kibon, etc. Isso vale um post futuro :)

      Abraços!

      • http://twitter.com/rodrigot rodrigot

        Vc insinua que o designer acabou de realizar o logo da pepsi, kodak, kibon, mostrou pra alguem completamente ignorante no assunto e ele pôde dizer na hora: "olha, é um simbolo de uma empresa de refrigerante / fotografia / sorvete!!". Evidente que não foi assim.

        Como eu quotei acima, logos não se tornam icônicos imediatamente. Não faz mto sentido querer cobrar e julgar uma forma isoladamente apenas pela sua forma fora de contexto.

        Alias, eu acabei nao dando os créditos, aquele paragrafo é de um texto da Paula Scher em q ela rebate essas reações recalcadas tipo "qq estudante do 1o periodo faria melhor" q povoam a internet a cada redesign.

        • http://www.coletivonegobom.com Caio Martins

          Sem dúvida, rodrigot, é um processo até a imagem se consolidar, ser reconhecida e tudo o mais. Vai de acordo com a gestão, certo?!
          Porém o fato, como nos mostraram Aloisio e Wollner, é que é mais fácil fazer um lobo parecer um cão do que um elefante. O trabalho é menos árduo e mais fluido.

          E não acredito que sejam reações recalcadas. Se são estudantes de 1º período, é sinal que estão aprendendo e estudando, bem interessados.
          "Povoam a internet a cada redesign" vou entender como "expressam suas opiniões, baseadas em algo ou não, a respeito de um tema que lhes interessa.

        • http://www.coletivonegobom.com Caroé (NEGOBOM)

          Não Ivson/RodrigoT… eu não insinuo nada. Comentei que isso vai mais além que apenas o design. Branding é mais que isso, e não tem nada a ver o "designer" desenhar e mostrar pra alguem reconhecer na hora.

          Tem a ver com todo a marca, desde comportamento de funcionários até uniformes vestidos por eles, serem projetadas com cuidado e dedicação ao seu público eleito. Seu foco.

          Posicionamento é mais um conceito da gestão de marcas. Quando se escolhe e atinge o seu, é que você pode mostrar qualquer símbolo e ser reconhecido como "aquela grande empresa de refrigerante / fotografia / sorvete!!".

          Espero ter sido mais esclarecedor desta vez :)

          Abraço!

        • http://www.coletivonegobom.com Caroé (NEGOBOM)

          Ah, e eu concordo plenamente. Odeio reações recalcadas de gente que acha que faz melhor depois que já tá pronto. Os fatos discutidos no artigo não são desse nível / forma.

          Envolvem um estudo de desconstrução, até chegar ao que realmente levou os responsáveis a desenvolver este projeto, e o motivo que os levou a concluir desta forma que não facilita a associação com a empresa.

          Espero que nisso tu concorde :)

        • http://www.coletivonegobom.com Caroé (NEGOBOM)

          "it takes a period of time for a logo to establish itself in the marketplace, just as it takes a magazine a year or so to establish its personality."

          Não exige apenas tempo. Exige um bom projeto por trás disso tudo. Na minha opinião, o tempo ajuda mais a aprender a lidar melhor com os erros, num caso como este.

  • http://www.coletivonegobom.com Caio Martins

    Obrigado pela leitura, pessoal! Acompanho o Design Blog e não pude deixar de colaborar.
    Lembrando que para escrever este artigo eu tive como inspiração um texto do Prof. Mauro Pinheiro, que foi meu professor na UFES, no curso de Design.

    Abraços!

  • http://www.alyne.tk alyne

    caio e seus comentários cada vez mais pertinentes (:
    sou tua fã fácil e acho super relevantes as tuas considerações, sempre.
    *;

  • Kalaffa

    Concordo. Eu nem costumo ter muito contato com os estudos de logo, e achei bem didático estes testes, e bem fundamentada a crítica. Minha área é moda e consegui fazer relação com alguns cases desta área. Por exemplo: quando ocorre uma mudança do "estilista"/designer de moda, o cara pode e as vezes deve reinventar o conceito da marca, o que é diferente dele criar uma nova caracteristica de marca. Se o markenting da empresa não tiver o histório e as diretrizes bem estruturadas, a probabilidade de acontecer o que aconteceu com a ELETROBRAS é enorme – Perca de identidade.

    • Botelho

      PERDA de identidade …

  • Botelho

    Não entendo o que leva esses "pensantes" a alterar uma marca como a da Eletrobrás, equilibrada, significativa e, sobretudo, reconhecida. Esta nova é, realmente, mais uma num mar de mediocridade.

  • Allan Mahet

    Primieramente o comentário do senhor Ivson foi no mínimo estúpido Logo em si, nada diz se não tiver o nome da empresa junto…. logo da Pepsi , Petrobras, Apple , da Micrososft, etc … pode até vir escrito o nome de outra empresa que todo mundo sabe de qual empresa se trata …

    Segundo: realmente achei estranho o logo. Visualmente atraente mas diz pouca coisa. Em minhas peripécias artisticas bolei novas logos para várias estatais e o da eletrobras usei da mesma idéia da mudança da light … eu apenas rejuvenesci ele … ao invés do desenho estar cheio coloquei vazado e com traço ao invés de um desenho contínuo (vou ver se coloco em algum lugar pra darem uma olhada) . Não é nada profissional (poís não sou, apesar de ter ganho um concurso de logomarca para comitê da bacia do rio paranoá- não é pra rir!).

    Mas para completar pode-se decidir por uma mudança total da logo também por conlcuir que a imagem antinga apesar de reconhecida era mal vista pelos consumidores…

  • thiago

    lembro de um post que falava sobre a questão, exemplificando também com o caso da light, e relacionando este caso ao redesign de uma empresa de tratamento/fornecimento de água, acho que do rio de janeiro. concordo que o redesign não expressa muito sobre a empresa, mas no caso ca coqueiro, por exemplo, acho arriscado dizer que não houve pesquisa. até pq o logotipo antigo era um tanto feio e fazia relação apenas ao NOME da empresa, e não ao que a empresa faz.